Normalmente os casos de violência doméstica que resultam em morte são notícia de jornal e é a partir destes dados que a organização não governamental União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) consegue apresentar uma estatística, já os números oficiais não especificam o tipo de relação entre homicida e vítima. Mesmo correndo o risco de ficarem aquém da verdade, os números são assustadores: em 2007, 21 mulheres foram assassinadas por homens com quem mantinham ou tinham mantido uma relação íntima. Com elas morreram três descendentes.

Segundo a equipa do Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR, houve 40 vítimas de tentativa de homicídio por parte de marido, companheiro ou namorado, 14 por parte de ex-marido, ex-companheiro, ex-namorado, três por parte de familiares. E também aqui há vítimas associadas: seis.

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Em 2007, 21 mulheres perderam a vida e as histórias, muitas vezes longas, de abusos e maus tratos, têm um fim que se conta numa só linha: Margarida (e o filho de 11 anos) foi morta com um tiro pelo companheiro três dias antes do Natal;

Isabel Rute tinha 36 anos e foi morta à pancada pelo companheiro. Maria do Rosário já apresentara queixa: foi morta por asfixia. Maria José tinha 20 anos e acabara o namoro. Nazaré Fernandes ia nos 50 quando o marido lhe deu um tiro mortal. Carla Cristina foi baleada e atirada à água. O marido, que participou nas buscas, aguarda julgamento em prisão preventiva.

Sem perfil para agressor

Maria José Magalhães, responsável pelo Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR, não se atreve a traçar um perfil do agressor: tanto é novo como velho, tanto é urbano como rural, tanto mora com a vítima como se está a separar ou já se separou dela. Mas há algo em comum: «A mesma forma de pensar as mulheres, as relações com elas: sentem-se seus proprietários».



O marido de Idalina deu-lhe um tiro de espingarda, o de Maria Domitília também. O ex-marido de Maria do Rosário usou uma faca, o de Adelina também. Cláudia contava 21 anos quando sucumbiu a um tiro disparado pelo ex-namorado, Maria Manuela ia nos 51 quando o marido a alvejou. Adelaide morreu por estrangulamento, Lúcia com queimaduras.

As estatísticas oficiais portuguesas não atendem às relações existentes entre a vítima e o agressor, apenas acompanha o sistema legal, que tipifica o homicídio em função da gravidade e do dolo (simples, qualificado, privilegiado, negligente e tentado).
Portugal Diário