Francisca de Magalhães foi vítima de violência durante o casamento e após a separação. O caso arrasta-se na justiça há vários anos mas, apesar de o ex-marido já ter sido condenado, a pintora afirmou no Jornal da Uma da TVI que não se sente liberta e segura porque o agressor continua à solta.

"Tenho medo sempre que vou à rua e sei que o meu ex-marido está à solta a fazer o que bem lhe apetece e, possivelmente, continuando com os mesmos comportamentos".

Francisca deixou ainda duras críticas aos mecanismos de proteção previstos para as vítimas de violência doméstica que diz que são "ineficazes e inúteis" e que "não protegem de todo as vítimas de violência doméstica".

"Não me sinto liberta porque, primeiro não tenho proteção porque os tribunais não a atribuem e porque, além de eu ser ameaçada, a minha família é ameaçada, existem segundos processos em que as condenações são irrisórias e são transformadas em penas de multa, portanto eu continuo a sentir-me, todos os dias, à espera [que algo de mau aconteça]", confessa, revelando que foi vítima de "agressões verbais violentas" que depois de se querer separar "se tornaram agressões físicas e uma obsessão sem fim".

"Temi pela minha vida, pela dos meus pais, do meu irmão e da minha filha".

Perante o medo de Francisca de Magalhães, Catarina Lucas, psicóloga, afirmou que a violência doméstica "é um tema que tem de continuar a ser debatido" porque as coisas têm de ser "efetivamente alteradas para que as vítimas sejam protegidas, para que se possam sentir um bocadinho mais seguras, no seu dia a dia"

"Porque, efetivamente, estas pessoas têm de sair à rua e diariamente confrontar-se com estes agressores. No meio disto tudo temos as crianças, parte que nós assumimos como mais frágil , mais desprotegida também, com menor capacidade, menos estratégias de coping para lidar e enfrentar a situação e que estão sempre envolvidas, estão sempre no meio. Normalmente são aquelas em quem os pais, ou os agressores, menos pensam. E sofrem de muita ansiedade que os acompanha até à vida adulta. A raiva, a revolta, daquilo que aconteceu, a incapacidade de perdoar aquilo que o pai fez - estamos a falar do pai, mas não é um comportamento exclusivamente masculino. Temos aqui um dano psicológico quase sempre irreversível", considerou. 

Francisca de Magalhães confessa que ainda hoje se sente "refém da situação porque este é um caso que não tem fim".

"Porque se o comportamento do agressor continua a ser o mesmo, obsessivo, e se não existe um travão para combater este comportamento, é uma situação que não tem fim e se os agressores utilizam os filhos como arma de arremesso para atingirem as mãe, como vimos esta situação do Seixal, não há muito que uma pessoa possa fazer a não ser refém da situação. Porque se os tribunais não nos ajudam e não combatem isto eficazmente de uma vez por todas, só me posso sentir refém desta situação. Mas continuar a lutar na mesma".