A greve da Groundforce está a provocar fortes constrangimentos nos aeroportos portugueses. Nas primeiras horas da manhã eram dezenas os voos cancelados a partir do Aeroporto de Lisboa, o que originou um ambiente de caos junto à zona das partidas.

Além disso, e para todo o dia, a informação disponibilizada pelo aeroporto da capital dava conta de vários voos cancelados (mais de 80), alguns que tinham partida prevista apenas para a noite.

Mas os constrangimentos também acontecem no sentido inverso, e foram mais de 110 as chegadas a Lisboa canceladas. Ao todo, são mais de 270 as ligações suprimidas pela greve. De acordo com o comunicado da ANA Aeroportos, que "as companhias que operam no Terminal 2 e as companhias que operam com outra assistência em escala, que não a Groundforce, mantêm a sua operação".

Muitos dos voos que partiram sofreram grandes atrasos, e a situação deve prolongar-se durante todo o dia.

Até ao momento foram cancelados vários voos para a Alemanha, França e também para a Madeira.

A Groundforce apelou ao cancelamento da greve, que já levou hoje ao cancelamento de cerca de uma centena de voos, garantindo que mantém aberto o “espaço de diálogo” com os representantes dos trabalhadores.

Num comunicado em que faz um balanço da adesão à greve, que se iniciou às 00:00 de hoje e se prolonga até às 24:00 de domingo, a Groundforce lamenta o transtorno causado pela greve que acontece num dos momentos de “maior atividade” nos aeroportos portugueses, depois de vários meses de limitações impostas pela pandemia e mostra-se disponível para dialogar.

A Groundforce mantém aberto o espaço de diálogo com os representantes dos trabalhadores, reforçando o apelo para o cancelamento das várias greves agendadas”, refere a empresa de 'handling' (assistência nos aeroportos).

No balanço que faz sobre a adesão à greve nesta primeiras horas, a empresa de ‘handling’ detalha que, entre as 00:00 e as 10:30, foram cancelados 100 voos no aeroporto de Lisboa, em resultado de uma adesão de 81,8%, com apenas 73 trabalhadores a apresentarem-se ao serviço dos 400 escalados na última rotação de turnos.

Segundo a informação veiculada pela Groundforce, no Porto, onde a adesão regista 42,1% houve até agora um voo cancelado.

No Funchal, a adesão à greve de 25,7% dos trabalhadores levou ao cancelamento de um voo com impacto nas ligações, enquanto em Faro, onde a adesão foi de 9,5%, realizaram-se até agora todos os voos previstos.

No aeroporto de Porto santo, não há registo de adesão a esta paralisação, adianta ainda a empresa.

No Aeroporto do Porto foram cancelados um total de oito voos, alguns com destino ou origem em Lisboa, enquanto que em Faro foi cancelada uma ligação com destino a Bruxelas e outra para Lisboa.

A ANA – Aeroportos de Portugal alertou para possíveis constrangimentos nos aeroportos nacionais devido às greves convocadas pelos trabalhadores da Groundforce no fim de semana.

A ANA recomendou ainda aos passageiros “que contactem antecipadamente a companhia aérea para obterem mais informações sobre o seu voo”, recordando que “a greve terá início às 00:00 de 17 de julho e terminará às 24:00 de 18 de julho”.

A gestora garantiu que “fará tudo o que estiver ao seu alcance para diminuir os constrangimentos causados aos passageiros”.

No início do mês, o Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA) convocou uma greve na Groundforce para os dias 17, 18 e 31 de julho, 1 e 2 de agosto, de acordo com um ofício, enviado na altura à Lusa.

Na mesma nota, a estrutura sindical detalhou que a paralisação abrange os trabalhadores da SPdH (Groundforce) de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo e que decorrerá das 00:00 do dia 17 às 24:00 do dia 18 de julho de 2021 e das 00:00 do dia 31 de julho às 24:00 do dia 2 de agosto de 2021.

O STHA convocou ainda uma paralisação ao trabalho extraordinário das 00:00 de dia 15 de julho às 24:00 do dia 31 de outubro de 2021.

"Para os trabalhadores cujo horário de trabalho se inicie antes das 00:00 do dia 17 e 31 de julho ou termine depois das 24:00 do dia 18 de julho e 02 de agosto, se a maior parte do seu período normal de trabalho for coincidente com o período de tempo coberto por este aviso prévio de greve, o mesmo produzirá efeitos a partir da hora de entrada ao serviço, ou prolongar-se-á até à hora de saída", indicou o sindicato, na mesma nota.

O sindicato justificou a convocação desta greve "considerando que, desde fevereiro de 2021, que a SPdH vive uma situação de instabilidade insustentável, no que concerne ao pagamento pontual dos salários e outras componentes pecuniárias", acusando a TAP SGPS, SA, "na qualidade de acionista", de nada fazer "para garantir os salários dos trabalhadores da SPdH, não transferindo qualquer valor desde janeiro de 2021".

Também o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (STTAMP) e o Sindicato dos Trabalhadores dos Aeroportos Manutenção e Aviação (STAMA) convocaram uma greve na Groundforce entre hoje e 18 de julho, além de outras paralisações parciais.

António Guimarães / com Lusa-Atualizada às 18:00