São 17 os portugueses na China, a quase totalidade na região chinesa de Wuhan, que pediram para deixar o país devido ao surto do novo coronavírus, disse esta quarta-feira fonte europeia à agência Lusa.

Ao todo, 17 portugueses já manifestaram vontade de sair da China, de acordo com as autoridades portuguesas”, indicou fonte da Comissão Europeia à Lusa, após um ponto de situação feito esta tarde pelo executivo comunitário com representantes dos Estados-membros relativamente ao surto.

A mesma fonte adiantou que “a maioria destes portugueses que pediram para sair deverão estar em Wuhan”, já que existem aeroportos a funcionar noutras cidades chinesas, mas remeteu também uma confirmação para mais tarde.

Entretanto, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Gestão de Crises, Janez Lenarčič, indicou que, “até ao momento, um total de quase 600 cidadãos da UE manifestaram o seu desejo em sair da China” em ações de repatriamento.

Sem precisar quantos cidadãos de cada país estão em causa, Janez Lenarčič disse apenas que se trata de nacionais da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Espanha, Finlândia, França, Itália, Letónia, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia e Reino Unido.

Na terça-feira, foi anunciado que a UE vai enviar dois aviões, entre esta quarta e sexta-feira, à região chinesa de Wuhan que vão repatriar, devido ao coronavírus, 250 franceses e outros 100 cidadãos europeus que o solicitem, independentemente da nacionalidade.

Em causa está a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil após um pedido de França.

O comissário Janez Lenarčič notou que “as autoridades francesas já estão em contacto com as autoridades chinesas por causa da questão dos voos”, explicando que estas ações de repatriamento são “complexas e requerem tempo”.

O responsável adiantou que o Mecanismo Europeu de Proteção Civil também poderá ser usado fora da UE, podendo tal instrumento ser disponibilizado à China ou a outro país estrangeiro, caso isso seja solicitado.

Entretanto, a Organização Mundial de Saúde anunciou que volta a reunir-se na quinta-feira o comité de especialistas para determinar se será ou não declarada emergência global de saúde pública. Já esta quinta-feira, a Finlândia anunciou ter confirmado o primeiro caso de coronavírus, de uma turista chinesa que está internada num hospital na Lapónia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou através da rede social Twitter ter conversado esta manhã por telefone com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, a quem garantiu que “a UE está pronta para prestar qualquer assistência necessária” às autoridades chinesas.

Na terça-feira, o executivo comunitário indicou em comunicado que “a UE cofinanciará [em 75%] os custos de transporte das aeronaves” que farão as primeiras duas ações de repatriamento, sendo que o primeiro avião saiu hoje de manhã de França e o segundo deverá sair no final da semana.

Apesar de a medida vir no seguimento da ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil a pedido de França, a Comissão Europeia explicou que “os cidadãos da UE presentes na região e que desejam ser repatriados podem solicitá-lo, independentemente da sua nacionalidade”.

Ao todo, “cerca de 250 cidadãos franceses serão transportados na primeira aeronave e mais de 100 cidadãos da UE de outros países se juntarão à segunda aeronave”, indicou Bruxelas, notando que “este é um primeiro pedido de assistência e outros poderão surgir nos próximos dias”.

Para já, de acordo com o executivo comunitário, “apenas cidadãos saudáveis ou sem sintomas [do vírus] serão autorizados a viajar”.

A comissária europeia da Saúde disse que a maioria dos estados-membros da União Europeia está “muito bem preparada” para lidar com o novo coronavírus chinês, mas admitiu “financiamento de emergência” para os países darem resposta se necessário.

A maioria dos Estados-membros está muito bem preparada para enfrentar o caso na Europa”, declarou Stella Kyriakidou, falando num debate sobre este vírus na mini sessão plenária do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Recordando que, “até ao momento, existem quatro casos confirmados em França, quatro na Alemanha e esta tarde soube-se ainda de um caso na Finlândia”, a comissária europeia garantiu estar em “contacto permanente” com estes e outros países da UE para “garantir que as medidas necessárias de contenção são adotadas”.

De acordo com Stella Kyriakidou, quase todos os Estados-membros têm manifestado “capacidade de lidar com casos suspeitos”, realizando desde logo triagens nos pontos de entrada nos países e dando conselhos aos seus cidadãos sobre viagens para a China.

A comissária referiu que os países dispõem ainda de equipamentos e laboratórios para eventuais testes de despiste.

Se a situação piorar, vamos pensar noutros apoios aos Estados-membros, o que pode incluir financiamento de emergência para dar resposta ao surto”, indicou.

Várias companhias aéreas suspendem ligações

A British Airways anunciou esta quarta-feira a suspensão de todos os voos para a China continental, seguindo ordens do Reino Unido, para evitar viagens para o país por causa do novo coronavírus, que já provocou mais de 130 mortos.

Pouco depois do anúncio da British Airways, a Lufthansa também anunciou a suspensão de todos os voos de e para a China, pelo menos até 9 de fevereiro. A medida abrange ainda as companhias Swiss Air e Austrian Airlines, que pertencem à empresa alemã.

Entretanto, a companhia aérea russa Ural Airlines, que opera para Munique, Paris e Roma, anunciou a suspensão de todos os voos para a Europa devido à disseminação do novo coronavírus (2019-nCoV).

Ikea e McDonald's fecham portas

O grupo de mobiliário sueco Ikea anunciou o encerramento, até nova ordem, de metade das suas 30 lojas na China, uma medida para conter a propagação do novo coronavírus.

A Ikea "vai fechar cerca de metade das suas lojas na China continental, provisoriamente e até nova ordem, a partir de 29 de janeiro", indicou a empresa sueca em comunicado citado pela AFP.

Já depois desse anúncio, também a cadeia de restaurantes McDonald's divulgou que ia fechar centenas de lojas na China.

Situada no centro da China, a cidade de Wuhan foi colocada na semana passada sob uma quarentena de facto, com saídas e entradas interditas pelas autoridades durante período indefinido, apanhando os residentes de surpresa.

A interdição foi depois estendida e toda a região de Wuhan encontra-se em regime de quarentena, situação que afeta 56 milhões de pessoas.

A China elevou para 132 mortos e mais de 5.900 infetados o balanço de vítimas do novo coronavírus detetado no final do ano em Wuhan, capital da província de Hubei (centro).

/ AG