O juiz da Operação Marquês quis esclarecer hoje uma discrepância de datas do documento de identificação de Zeinal Bava utilizado na assinatura do contrato com a Enterprises, em 2010, tendo a defesa respondido que se tratou de um lapso.

De acordo com o despacho a que a Lusa teve acesso, o juiz Ivo Rosa teve dúvidas sobre a data da celebração do contrato de alocação fiduciária entre o arguido Zeinal Bava e a Enterprises Management Services pelo facto de constar no mesmo a data de emissão do bilhete de identidade do ex-administrador da PT de 16 de dezembro de 2014, quando a assinatura ocorreu em 2010.

O advogado de Zeinal Bava, José António Barreiros, respondeu ao tribunal que se tratou de “um lapso de escrita”, pois onde se refere emissão deveria constar que o documento era válido até dezembro de 2014, refere o documento a que a Lusa teve acesso.

Na resposta hoje enviada ao juiz foi apensada uma fotocópia do bilhete de identidade de Bava.

A defesa explica ainda que, tal como tinha sido dito em interrogatório pelo CEO da PT e por Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, também arguido, recebeu “uma minuta não assinada do contrato com a Enterprises, que depois de analisar assinou e devolveu” para que fosse entregue à empresa.

Zeinal Bava é um dos 28 arguidos da Operação Marquês e está acusado de corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

A Operação Marquês tem como principal arguido o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que está acusado de 31 crimes económicos-financeiros, encontrando-se neste momento a decorrer a fase de instrução.