O Sporting goleou o Belenenses por 4-0 em jogo da terceira eliminatória da Taça de Portugal, num dérbi dos velhos tempos em que os leões acabaram por tornar evidente a diferença de três escalões que separam, nesta altura, os dois históricos de Lisboa. A equipa de Ruben Amorim entrou a ganhar, passou depois por algumas dificuldades, mas acabou por marcar mais três golos na segunda parte, os dois últimos desde a marca dos onze metros. Para a história fica a ressurreição do Estádio do Restelo que voltou a viver uma grande noite de futebol, com as duas bancadas centrais praticamente cheias. Mais do que espetacular, foi um jogo de grande utilidade para o treinador dos leões, mas também com custos a avaliar: Porro entrou e saiu lesionado.

O Sporting subiu ao relvado com um onze muito jovem, com uma média de idades de 22 anos, com destaque para as estreias de João Virgínia e do teenager Gonçalo Esteves, mesmo com Feddal (31 anos) a puxar a média para cima. Pela frente tinham um onze «azul» com uma linha defensiva de cinco que entrou no jogo muito subida, com o objetivo de pressionar a zona de construção do Sporting. Estava feito o convite e os leões corresponderam com uma entrada a todo o gás a explorar o muito espaço que os azuis deixavam nas suas costas. Não surpreendeu por isso o golo madrugador, logo aos dois minutos, com Daniel Bragança, um autêntico maestro no meio-campo, a abrir na esquerda, para Vinagre arrancar e cruzar tenso. Jovane não chegou, mas Tiago Tomás apareceu a encostar junto ao segundo poste.

Muito fácil. O Sporting tomou conta do jogo, instalando-se no meio-campo do Belenenses, com uma forte reação à perda de bola, mantendo uma pressão constante. Os centrais do Belenenses procuravam fazer uma marcação cerrada aos homens da frente, mas depois abriam muitos espaços, sobretudo na direita, onde Vinagre, cheio de confiança, continuava a explorar as costas de João Oliveira. Numa dessas investidas, o lateral esquerdo ofereceu novo golo a Jovane que, com a baliza aberta, acertou em cheio em Valverde. O segundo golo parecia iminente e Feddal também esteve perto de marcar com um chapéu mal medido ao guarda-redes brasileiro que passou por cima do travessão.

À passagem da meia-hora, os leões levantaram o pé, aliviaram a pressão e o Belenenses entrou finalmente no jogo. Zé Pedro deu o mote com um remate forte, mas muito por alto, mas que arrancou uma estrondosa ovação da bancada. Numa rápida transição de João Oliveira, Virgínia procurou antecipar-se, saiu da área e acabou por fazer falta e ver amarelo. O Belenenses dava sinais de vida, mas os leões voltaram a despertar nos últimos dez minutos antes do descanso. Pote teve o golo nos pés, num lance de contra-ataque e, ainda antes do intervalo, Valverde negou golos a Tiago Tomás, com uma defesa impossível, e também a Gonçalo Inácio, com mais uma estirada.

O intervalo chegava com uma vantagem mínima, mesmo com Pote de volta à ação. A verdade é que Sporting voltou a entrar amorfo na segunda parte e Clé chegou a entrar por três vezes na área de Virgínia, mais do que em toda a primeira parte. Pedro Gonçalves ainda ameaçou o segundo golo, na marcação de um livre, com a bola a rasar a trave, provocando uma ilusão de ótica, com muitos adeptos a gritar golo. Ilusão também porque o Sporting não estava bem e Nuno Oliveira procurou tirar proveito da situação e refrescou o ataque com duas alterações. Ruben Amorim também não esperou mais e procurou reequilibrar a equipa, prescindindo de Pote, já esgotado, e Gonçalo Esteves para lançar Nuno Santos e Pedro Porro. O lateral espanhol esteve pouco tempo em campo. Mal entrou viu um amarelo e, logo a seguir, sofreu uma entrada duríssima de André Frias. Uma entrada muito feia com Porro a sair de maca em grandes dificuldades.

Pelo meio, o Sporting chegou, finalmente, ao segundo golo, na sequência de um pontapé de canto de Nuno Santos da esquerda, com Feddal a amortecer para o mergulho de TT que acabou por bisar no jogo. Um golo que descomprimiu finalmente o Sporting e, a jogar contra dez, o resultado avolumou-se nos instantes seguintes com duas grandes penalidades. A primeira resulta de um suposto corte com o braço de Marinheiro que deixou dúvidas, mas Jovane atirou a contar. O segundo não deixou dúvidas nenhumas, Tiago Tomás isolou-se e preparava-se para marcar quando foi derrubado por Frias, o mesmo jogador que tinha lesionado Porro e que ainda estava a ser apupado pelos adeptos do Sporting. Segundo amarelo e, claro, expulsão, antes de Nuno Santos assinar o 4-0.

Agora o jogo estava definitivamente desequilibrado, com o Belenenses reduzido a dez e os leões lançados para a frente, mas Valverde, que já tinha sido protagonista na primeira parte, não permitiu que os leões chegassem à mão cheia de golos.

Um jogo que foi, acima de tudo, útil para Ruben Amorim, tirando, obviamente a lesão de Pedro Porro e as respetivas consequências. Tiago Tomás ganhou moral, Gonçalo Esteves ganhou experiência, Ugarte somou minutos, Ruben Vinagre recuperou confiança e Gonçalo Inácio e Pote ganharam ritmo. É que o calendário agora vai apertar.

Ricardo Gouveia / Estádio do Restelo