por Filipe Sanches

Não houve unanimidade dos adeptos na hora de fazer o balanço da exibição do Benfica, esta noite, na Covilhã, onde o campeão nacional teve de puxar dos «galões» para chegar ao empate (1-1) nos minutos finais. Se parte do público aplaudiu as águias, outra preferiu assobios e impropérios. Nas hostes serranas a voz foi só uma: palmas para a galhardia com que a formação da II Liga se bateu.

Os golos de Bonani e Jota na segunda parte construíram uma igualdade que deixa as duas equipas empatadas, com dois pontos em duas jornadas, ficando agora à espera do que fazem os Vitórias (de Setúbal e de Guimarães) no jogo entre eles, relativo a esta segunda jornada do Grupo B da Taça da Liga.

Com ambos os treinadores a darem oportunidade a jogadores menos utilizados, sendo isso mais evidente no onze de Bruno Lage, que apenas lançou de início um dos titularíssimos (Ruben Dias), a partida foi jogada sem grandes amarras táticas e com intensidade q.b.

FICHA DE JOGO

Entrada forte dos serranos a empurrarem as águias para a área. Canto na direita bem batido por Adriano e desvio de Brendon ao primeiro poste, faltando a emenda no segundo. No mesmo minuto (4), perda de bola do Benfica e Adriano obriga Zlobin a aplicar-se no relvado.

A resposta veio o oitavo minuto, com Raul de Tomás a penetrar pela esquerda, mas com a defensiva da casa a «abafar» o espanhol. Solidariedade defensiva de um Covilhã muito «musculado», utilizando quatro centrais de raiz na linha defensiva.

Ameaça maior à dezena de minutos, com livre de Jota para a área covilhanense, combinação aérea entre Ruben Dias e Gedson e este a cabecear à trave.

O Covilhã nunca se encolheu e reagiu aos 19 minutos, com cruzamento de Adriano e Bonani a rematar de pé esquerdo, para defesa a dois tempos do jovem guardião russo do Benfica.

Aos 25, contra-ataque covilhanense de área a área, mas o remate de Adriano, já pressionado, saiu à figura.

DESTAQUES DO JOGO

Com os encarnados a não conseguirem jogar entre linhas, o passe longo foi solução algumas vezes e à passagem da meia hora quase deu frutos. Tomás Tavares, ainda no seu meio campo, solicitou a desmarcação de Raul, o espanhol rodopiou no coração da área, mas o remate saiu à figura. A defesa serrana completou o alívio. Foi a melhor situação das águias na primeira parte e o único lance de registo do avançado em toda a partida.

Aos 40, outra vez Adriano a criar expectativa nas hostes locais, com um remate forte, de fora da área, a rasar a trave.

Não havia golos, mas fazia-se a festa nas bancadas do Santos Pinto, histórico estádio que se engalanou para receber o Benfica 32 anos depois (recorde-se que o jogo de 2014, da Taça de Portugal, teve lugar no Complexo Desportivo da cidade serrana). Cerca de três mil adeptos aqueceram um ambiente que em termos de temperatura não passou dos 4 graus.

Descontente com o empate, Bruno Lage lançou Vinicius ao intervalo, confiando no pé quente do brasileiro, mas logo aos 22 segundos da segunda parte, explosão verde e branca, com Bonani a isolar-se, após ressalto, e a bater Zlobin para o 1-0.

O golo aumentou a intensidade da partida. Naturalmente, o Benfica começou a ser mais pressionante e a acercar-se várias vezes da baliza da casa, principalmente pelo lado esquerdo, onde Jaime, pouco rotinado na posição, foi acusando dificuldades. Nuno Tavares esteve muito ativo e ameaçou com muitos cruzamentos, dois deles a rasparem nos ferros.

A meia hora do fim, Bruno Lage esgotou as substituições, fazendo entrar Pizzi e Taarabt para os lugares dos «apagados» Samaris e Zivkovic (não aproveitaram a oportunidade dada pelo técnico).

Aos covilhanenses cabia jogar com o relógio e com alguma ansiedade dos encarnados, explorando uma ou outra transição, como fez Adriano aos 71 minutos, com boa iniciativa, mas remate para as mãos de Zlobin.

Ricardo Soares apenas sentiu necessidade de refrescar a equipa no derradeiro quarto de hora, sacrificando o autor do golo, Bonani, e apostando em mais um defesa, Daniel Martins. A alteração colocou mais peso e centímetros na área serrana, onde os cruzamentos se acumulavam. Vinicius teve o empate na cabeça aos 66 minutos, mas a remate saiu ao lado.

Contudo, foi Jota a desatar o nó, aos 82 minutos, com um remate forte e colocado. Foi, talvez, o primeiro momento em que os serranos deram liberdade à entrada da sua área e o jovem aproveitou. Aos 89 quase repetiu o feito, mas a pontaria foi menos certeira.

Com Rodrigues e Kukula, os covilhanenses esgotaram também as substituições procurando consistência no miolo e frescura no contra-ataque, mas nos minutos finais a “máquina” encarnada já estava a carburar. Os adeptos encarnados puxavam pelos jogadores e queriam o triunfo, mas a defesa serrana conseguiu segurar um empate que premeia a solidariedade e combatividade dos seus atletas.

Redação Maisfutebol / na Covilhã