Séria e competitiva, a versão B do Benfica passou em Paredes e não teve pachorra para aturar desmandos. Mais forte, mais capaz, pôs os pés na casa do modesto adversário e avisou desde o início que não estava disponível para desaforos. Ganhou só pela vantagem mínima porque a modéstia unionista passou a personalidade e a personalidade passou a ambição. O jogo esteve em aberto até ao fim.

O maior mérito do Benfica foi, acima de tudo, a capacidade de matar quase à nascença todo e qualquer ato de insubmissão do Paredes. Tirando uma defesa de Helton Leite a remate de Ismael no primeiro tempo e duas bolas paradas bem batidas na esquerda, Jorge Jesus teve uma noite descansada no banco de suplentes.

Grande parte do jogo foi passado no terço defensivo do Paredes. Os homens de Eurico Couro concentradíssimos, agressivos e imunes ao erro; a equipa do Benfica a ter bola, a rodar, a tentar encontrar espaços, algum ritmo e a ameaçar numa mão cheia de vezes o excelente Marco Ribeiro, guarda-redes da casa.

FICHA DE JOGO E AO MINUTO

Teve mesmo de ser uma bola parada a decidir a eliminatória. Franco Cervi, o mais inspirado da noite, bateu na esquerda e Samaris subiu melhor do que a oposição, antes de cabecear de forma muito colocada.

O marcador registava 26 minutos e pensou-se que o Benfica teria feito o mais difícil. A goleada piscava o olho, mas a equipa do Paredes nunca se desorganizou, nunca facilitou um centímetro que fosse e manteve-se de pé até ao fim.

O que lhe faltou para ser, enfim, tomba gigantes? Mais capacidade, talvez qualidade, em ataque organizado. Sempre que se exigia superioridade num um para um, num envolvimento ofensivo, o Benfica reagia com intensidade e apagava de imediato o fogo. Nesse aspeto, insistimos, a exibição das águias foi praticamente perfeita.

No plano individual, nota muito positiva para Franco Cervi e para Samaris, os mais estáveis do princípio ao fim. Gilberto teve também uma noite acertada, constantemente a atacar, e os centrais Ferro e Jardel geriram com autoridade a respetiva área de jurisdição.

O Paredes é uma equipa bastante organizadora, conhecedora do jogo. Tem princípios interessantes na saída de bola, médios poderosos e um ritmo de jogo interessantíssimo para o patamar competitivo onde se encontra. Uma equipa para seguir com atenção no terceiro escalão, aparentemente com condições para lutar pela subida.

Pedro Jorge da Cunha / na Cidade Desportiva de Paredes