Ainda não se tinha ouvido o apito inicial e assistiu-se à primeira homenagem da noite. De goleador para goleador, João Tomás ofereceu a Paulinho uma camisola do Trofense, clube que o agora internacional português representou em 2012/13.

Apesar das diferenças existentes entre os dois conjuntos, no papel, em campo foram semelhantes no plano tático: António Barbosa e Carlos Carvalhal optaram pelo 4-4-2, ambos com dois avançados, embora um deles mais recuado.

Carvalhal ia pedindo insistentemente que os minhotos subissem linhas e a equipa foi correspondendo até se instalar no meio-campo da formação caseira.

Os olhos estavam postos em Paulinho – que se estreou recentemente com a Seleção Nacional –, mas foi outro jogador com diminutivo no nome a dar nas vistas: Serginho ia demonstrando toda a experiência de 37 anos de vida, na baliza do Trofense.

O guarda-redes, totalista esta temporada, ia controlando as investidas do Sp. Braga, mas a meio da primeira parte teve mesmo de sujar o equipamento, após remate de fora da área de Castro. Diga-se que, apesar de todo o domínio com bola, esta foi a primeira boa ocasião para a turma da Liga inaugurar o marcador. Diga-se, também, que enquanto teve pilhas, Castro esteve em todo o lado.

O jogo seguia morno - ao contrário da noite na Trofa – e foi preciso esperar pelos últimos minutos do primeiro tempo para alguém gritar golo: Abel Ruiz estreou-se a marcar esta temporada e prosseguiu com a homenagem a Moura, jovem esquerdino que se lesionou gravemente poucos dias depois de ter bisado na vitória sobre o Benfica.

Com um golo sofrido ao cair do pano, o melhor que podia acontecer ao Trofense era o intervalo. A equipa do Campeonato de Portugal entrou com outra postura na etapa complementar, a procurar a igualdade, que encontrou através de um penálti muito contestado pelos forasteiros

Depois da toada morna da primeira parte, o jogo aqueceu e ficou bem quentinho. Mais faltoso, inclusivamente, com André Leão a ver o segundo cartão amarelo ao minuto 65. O experiente médio foi para o banho mais cedo e o jogo mudou completamente. Carvalhal colocou as fichas de ataque em campo, enquanto António Barbosa apostou na velocidade dos homens da frente para sair na transição rapidamente.

Já se esqueceu de Serginho, caro leitor? Pois bem, o guardião do Trofense voltou a chamar as atenções, sobretudo no duelo com Paulinho, que teve duas ocasiões para apontar o golo da vitória.

O jogo ia caminhando para o fim e Serginho já se assumia como homem da noite, mas havia alguém a querer roubar o papel de protagonista: Galeno vestiu a capa de herói, já nos descontos, e os arsenalistas respiraram de alívio com a passagem à próxima fase da Taça de Portugal.

Em dia de homenagens – e como não há duas sem três – vénia seja feita ao Trofense, que deu uma boa réplica e ainda sonhou com uma surpresa, mas terminou com a primeira derrota esta temporada. Já o Sp. Braga conseguiu a primeira vitória do seu historial na Trofa.

FICHA DE JOGO

Estádio Clube Desportivo Trofense, Trofa

TROFENSE: Serginho; Edu, Mika, João Faria, Simão Martins; André Leão, Vasco Rocha; Bruno Almeida (69m), Yair Castro (61m), Alan Junior (80m) e João Paredes (61m)

Suplentes Trofense: Manu, Daniel Liberal (80m), Benedito, Valter Zacarias (61m), Matheus (61m), Tito Júnior e Keffel (69m)

SP. BRAGA: Tiago Sá; Esgaio, Tormena, Bruno Viana, Sequeira; Al Musrati (57m), André Castro (76m), Iuri Medeiros (76m), Galeno; Abel Ruiz (57m) e Paulinho.

Suplentes Sp. Braga: Rogério, João Novais (76m), André Horta (57m), Ricardo Horta (57m), Raúl Silva, Rodrigo Gomes e Schettine (76m)

Árbitro: Fábio Melo (AF Porto)

Assistentes: Sérgio Jesus, Carlos Campos e Humberto Teixeira

Disciplina: cartões amarelos para André castro (18m), André Leão (25m e 65m), Yair Castro (29m), André Horta (62m) e Serginho (71m); cartão vermelho para André Leão (65m)

Golos:

0-1: Abel Ruiz (45m);

1-1: Alan Junior (g.p.,50m);

1-2: Galeno (90+3m)

André Cruz