*Por Rui Santos

Foi dura a tarefa do Portimonense para seguir em frente na Taça de Portugal. Frente à Oliveirense, da Liga 3, os algarvios viram o adversário anular três desvantagens, a última das quais já no prolongamento, e tiveram de ser perfeitos na decisão por grandes penalidades, onde venceu por 5-4.

Pode não parecer, mas houve taça em Oliveira de Azeméis. Só o resultado não acompanhou.

Dela se diz que é a festa do futebol, a prova rainha do futebol português. Taça é taça, e nela se apregoam alguns dos chavões que constroem o imaginário dos amantes da prova. Seja que nos escalões inferiores trabalha-se cada vez melhor ou que já não há jogos fáceis, e a verdade é que há exemplos que o comprovam na perfeição. O Oliveirense-Portimonense foi tudo isso e, talvez, algo mais. 

De Portimão viajava uma das equipas-sensação da I Liga, que vinha de ganhar na Luz, ainda assim ciente do que iria encontrar em Oliveira de Azeméis. Paulo Sérgio pouco mexeu no onze, promoveu as estreias do guardião Payam e do criativo Nakajima, e preparou-se para a dureza do embate.

É que a Oliveirense, líder da série A da Liga 3, foi igual a si própria. Não se encolheu no campo e, desde cedo, colocou os algarvios em sentido. Nem o golo de Renato Júnior, na sequência de um canto, criou dúvidas nos locais, que empataram por Luizinho, também de canto, na recarga a uma cabeçada ao travessão de Simão Fernandes.

Pelo meio, houve lances de perigo junto das duas balizas, a maioria dos quais favoráveis à Oliveirense, que quase virou o resultado em cima do intervalo, num remate rasteiro de João Paredes que Payam parou com dificuldade.

Pedro Sá ficou no balneário, ao intervalo, dando lugar a Ivan. Do extremo, Paulo Sérgio queria não só que agitasse o ataque, mas também que estancasse as subidas do lateral direito Gonçalo Pimenta, um terror para os algarvios na etapa inicial. Com Nakajima nas costas de Renato Júnior e Carlinhos e Lucas Fernades lado a lado na fase de construção, passou a ser mais difícil à Oliveirense criar desequilíbrios.

Ainda assim, faltava algum rasgo ofensivo ao Portimonense, que teve de recorrer à potência de Renato Júnior para se adiantar novamente no resultado, num lance em que o avançado deixou para trás a defensiva adversária, contornou Nuno Silva e encostou para o 2-1. O hat-trick quase surgiu ao minuto 60, mas o guarda-redes da Oliveirense fez bem a mancha. No lance que se seguiu, voltou a brilhar, num livre frontal apontado por Lucas Fernandes.

O mais difícil parecia ter sido conseguido pelo Portimonense, mas a Oliveirense descarregou toda a frustração pela desvantagem nos últimos dez minutos, encostando o adversário às cordas. Por entre algumas ameaças, João Paredes acabaria por fazer o empate, na recarga a uma grande penalidade por si batida, mas que Payam havia defendido.

A Oliveirense chegava ao prolongamento com a motivação nos píncaros, mas as pernas iam tendo dificuldades em acompanhar. Já com Imbula e Aponza em campo, o Portimonense tomou as rédeas do jogo e quase marcou por duas vezes, por Aponza e Fabrício. Fábio Pereira conseguiu aguentar até ao fim do primeiro tempo do prolongamento para mexer no onze pela última vez, mas assim que o fez viu a sua equipa tomar de assalto a área contrária, faltando-lhe finalizar a preceito.

A última etapa do jogo voltou a abrir com um Portimonense mais afoito no ataque e, já depois de Aylton e Carlinhos terem desperdiçado oportunidades flagrantes, chegou ao 3-2 numa infelicidade de Simão Fernandes, autor de um autogolo. Mas, como não há duas sem três, a Oliveirense tornou a empatar o jogo, pelo capitão Filipe Alves, num lance de insistência. A eliminatória só ficou decidida nas grandes penalidades, com o Portimonense a vencer por 5-4. Ono foi o único a desperdiçar.


FICHA DE JOGO


Estádio Carlos Osório, Oliveira de Azeméis

Árbitro: Hélder Malheiro

UD OLIVEIRENSE: Nuno Silva; Gonçalo Pimenta, Simão Fernandes, João Serrão (66m, Filipe Marques) Filipe Maio (104, Andrezo) e Raniel; Filipe Alves, Duarte Duarte (90+1m, Vasco Gadelho), Luizinho Silva (77, Marcelo Marques), Jaime Pinto; João Paredes (104m, Onohara);

Suplentes UD Oliveirense: Kadu e Duque;

Treinador: Fábio Pereira

PORTIMONENSE: Payam, Moffi, Wyllian, Pedrão e Fali Candé; Lucas Fernandes (91m, Imbula), Pedro Sá (Angulo, 45m) e Carlinhos; Aylton, Renato Júnior (91m, Aponza) e Nakajima (73m, Fabrício, 106, Luquinha);

Suplentes Portimonense: Nakamura e Relvas;

Golos: Renato Júnior (19m e 55m), Luizinho (35m), João Paredes (85m), Simão (autogolo, 113m) e Felipe Alves (118m);

Disciplina: cartões amarelos para Raniel (33m), Payam (64m), Marcelo Marques (80m), Aylton (82m), Felipe Alves (84m), João Serrão (85m), Pedrão (85m), Renato Júnior (89m), Filipe Maio (89m), Lucas Fernandes (90+2m), Carlinhos (113m), Luizinho (120m);

Redação Maisfutebol / Estádio Carlos Osório, Oliveira de Azeméis