Foi preciso jogar-se mais meia-hora de prolongamento para se encontrar o vencedor, num jogo em que Louletano e Paços de Ferreira equivaleram-se e, pelas poucas oportunidades de golo que construíram, mereceram esse castigo suplementar de mais trinta minutos.

Se na primeira parte ainda houve alguma emoção e momentos mais velozes no jogo, a produção foi inferior depois, com raros momentos em que cheirou a golo em qualquer uma das balizas. Daí que com o passar dos minutos o prolongamento se tenha tornado um cenário muito previsível.

Com cinco defesas, os algarvios iam controlando a situação perto da baliza de Lucas Paes e com mobilidade nas alas também conseguiam ganhar metros. Davam, por isso, a ilusão de equilíbrio, apesar da maior posse de bola dos pacenses.

E foi precisamente em contranatura que aconteceu o primeiro golo: o Louletano estava a apertar a área contrária e, numa transição rápida, Hélder Ferreira (17m) entrou em velocidade pela direita e, isolado, colocou o esférico entre Lucas Paes e o poste esquerdo.

Apesar de não ter ascendente sobre o adversário, o Louletano reagiu bem ao golo e Érico, um avançado muito batalhador, ameaçou sete minutos depois num chapéu quase do meio-campo que não passou distante da barra. E da ameaça concretizou os intentos e aos 34 minutos aproveitou uma confusão na área para desviar de cabeça e empatar.

Antes do intervalo o Paços de Ferreira podia ter marcado, primeiro por Uilton, que permitiu a defesa de Lucas Paes quando estava em boa posição, e na compensação por Marco Baixinho, que entrara para o lugar do lesionado Maracás: o central atirou à barra na sequência de um canto e, na recarga, Ruben Micael falhou o alvo.

Como se disse a segunda metade foi penosa, com raros momentos de perigo. As exceções foram um mergulho de Bernardo (79m) para de cabeça desviar ao lado da baliza louletana e uma louca correria de Abou Touré desde o seu meio-campo, para atirar muito por cima, aos 83 minutos, numa altura em que os pacenses estavam a querer instalar-se perto da baliza algarvia.

No prolongamento a capacidade física das equipas fez a diferença, com o Paços de Ferreira mais forte e mais perto do golo, embora a primeira grande oportunidade tivesse pertencido ao Louletano, num contra-ataque não aproveitado por Rafa Fonseca e Darlan Bispo.

Depois só deu Paços, com Tanque a rematar à barra aos 96 minutos e a falhar de forma incrível aos 107, atirando por cima com a baliza aberta. Diaby rematou depois com perigo aos 103, a anunciar o que viria a seguinte: o golo, que aconteceu com naturalidade aos 109, numa grande finalização de Dadashov, de calcanhar, após jogada de Yago, pela esquerda.

Faltavam poucos minutos para o final e também o cansaço acumulado do Louletano para contrariar o rumo do resultado foi um óbice para conseguir algo mais.

FICHA DE JOGO

Estádio Algarve, em Vale da Venda

Árbitro: José Rodrigues (AF Lisboa)

Assistentes: Rui Cidade e José Luzia

4º árbitro: Fernando Moro

Ao intervalo: 1-1

LOULETANO (5X3X2): Lucas Paes; Matheus, Carlos Chaba (cap.), Pedro Barcelos (Diogo Marques, 70), João Sousa e Elvis; Leandro Ari (Rafinha, 102), Hélio Pinto (Stehb, 64) e Darlan Bispo; Abou Touré e Érico (Rafa Fonseca, 70)

Suplentes não utilizados: Rodolfo; Yuri e Filipe.

Treinador: Zé Nando

PAÇOS DE FERREIRA (4x3x3) : Marco Ribeiro; Bruno Santos, Amndré Micael, Maracás (Marco Baixinho, 38) e Oleg; Pedrinho, Vasco Rocha (Tanque, 63) e Bernardo (Yago, 99); Uilton (Diaby, 63), Hélder Ferreira e Dadashow

Suplentes não utilizados: Simão; Rafael Gava e Diogo Almeida.

Treinador: Pepa

Golos: 0-1, por Hélder Ferreira (17); 1-1, por Érico (34), 1-2 por Dadashov (109)

Disciplina: cartão amarelo a Darlan Bispo (5), Matheus (90), Bernardo (90+2), Élvis (97), Bruno Santos (97), Dadashov (115) e Carlos Carneiro (delegado do Paços de Ferreira, 79).

Jorge Anjinho