Esteve para acontecer uma surpresa à moda da Taça até aparecer o suspeito do costume: Rodrigo Pinho, que bisou e deu o apuramento ao Marítimo, diante do Salgueiros.

O Salgueiros, contra a corrente do jogo, mas com a ajuda de um Marítimo algo lento e quase sempre previsível, abriu o marcador perto do intervalo, por intermédio de Braga, na sequência de um canto, mas Rodrigo Pinho (vai com 12 golos entre Taça de Portugal e Liga) encarregou-se de levar o jogo para prolongamento e depois selar o triunfo sofrido da sua equipa, a dois minutos dos 120.

A turma insular foi a jogo com o onze formado por muitas segundas opções para defrontar um Salgueiros que, entre lesões e impedimentos devido a infeções de covid-19, mesmo assim conseguiu apresentar uma equipa competitiva e assente em muitos jogadores experientes.

Como esperado, a equipa de Milton Mendes assumiu as despesas do jogo desde o apito inicial, mas só a espaços conseguiu mostrar créditos de Liga. Até à meia hora, Joel Tagueu acumulava três cabeceamentos com perigo, um dos quais na trave e dois que praticamente saíram à figura do guardião Bruno Pinto.

Mas a construção ofensiva dos insulares foi perdendo intensidade e com o passar do tempo, enquanto os nortenhos foram acreditando que podiam fazer mais do que jogar na expectativa. A formação orientada por Jorge Pinho passou por dificuldades, é certo, mas manteve-se fiel às ideias traçadas para um jogo que requeria muita concentração e coesão defensiva.

Aos 43m, o Salgueiros conseguiu ganhar um canto e, ante alguma cerimónia da defesa verde-rubra, acabou por chegar ao golo, apontado pelo experiente Braga, na segunda tentativa para disparar... 

A reação maritimista só surgiu no segundo tempo. Milton Mendes lançou o melhor marcador da equipa, Rodrigo Pinho, para fazer companhia a Joel na frente. Durante cerca de um quarto de hora, os nortenhos voltaram a passar por momentos complicados, valendo intervenções atentas do seu guardião e alguma falta de pontaria dos madeirenses, por Pinho, Edgar Costa e Joel.

Pelo meio, a turma do Campeonato de Portugal conseguiu desenhar uma transição rápida e ficou muito perto do segundo. A defesa insular foi apanhada em contrapé e Leo Andrade por pouco não fez autogolo.

A partida tornou-se depois algo faltosa e fértil em interrupções, mais ainda com as muitas substituições que foram sendo realizadas por ambos os técnicos. O Salgueiros encarou o último quarto de hora da partida muito recuado no terreno, apostado nas saídas rápidas.

O objetivo era defender a vantagem com unhas e dentes, mas Rodrigo Pinho, a passe de Joel, encarregou-se de contrariar tal propósito, assinando o golo do empate aos 88m, tento que levou o jogo para prolongamento.

Os nortenhos entraram no tempo extra algo atrevidos, causando algum pânico entre a defesa insular, mas coube ao Marítimo protagonizar o grande lance de perigo, com Rodrigo Pinho a obrigar o guardião Bruno Pinto a aplicar-se para impedir o segundo golo do avançado que saltou do banco ao intervalo.

A segunda parte do tempo extra também viu um Marítimo mais colado ao último reduto do Salgueiros, mas foi preciso esperar até aparecer novamente a magia de Rodrigo Pinho. A dois minutos dos 120, o avançado brasileiro recebeu fora da grande área, rodou e rematou ao ângulo, sem hipóteses para o guardião Bruno Pinto, fixando o resultado final.

O Salgueiros, tendo em conta a réplica deixada na Ribeira Brava, ‘caiu de pé’ na Taça de Portugal. Já o Marítimo, que na próxima ronda defronta o Sporting, por certo não vai subestimar os lisboetas como fez nesta quarta-feira ante o conjunto que milita no Campeonato de Portugal.

Raul Caires / Estádio Municipal da Ribeira Brava