Quem olhar para o resultado final poderá pensar que o jogo foi um passeio do Nacional em Arronches. E até foi, mas, não a tempo inteiro: temos de ter em conta que o resultado só se avolumou no quarto de hora final, quando o Nacional faturou quatro dos seis golos.

Entrou forte a equipa da Madeira, mandona, a impor um ritmo alto, e rapidamente se adiantou no marcador. Tiquinho Soares, aos 5 minutos, isolou-se e fez o primeiro golo da tarde, de forma fácil. Manteve-se o ascendente nacionalista, com o Mosteirense a fazer o que podia, mas sem colocar o autocarro lá atrás, o que logicamente agradou ao público presente no Estádio Municipal Francisco Palmeiro.

Os alentejanos até conseguiram equilibrar durante alguns minutos a partida, mas o golo de Salvador Agra aos 34 minutos acabou com essa boa reação dos da casa. Ao intervalo, o Nacional vencia por 0-2, com um bom desempenho do Mosteirense.

Na segunda parte houve duas fases. A primeira, que durou até aos 30 minutos, e o último quarto de hora. Até à meia hora da etapa complementar o Mosteirense apresentou alguns bons momentos, e poderia mesmo ter chegado ao golo, com uma grande oportunidade por Fernando Toscano. Não marcou e o Nacional não falhou. Manuel Machado fez alterações para voltar a pôr um ritmo de jogo alto e isso aniquilou por completo o Mosteirense.

Tiquinho Soares fez o 0-3 aos 74 minutos, um minuto depois foi Luís Aurélio a fazer o quarto, novamente Tiquinho Soares para o quinto aos 84 minutos, e no primeiro minuto de descontos Luís Aurélio a fechar o marcador com o sexto golo. Como se esperava, o Mosteirense rebentou fisicamente e o Nacional aproveitou para fazer o que lhe competia.

Acabou o sonho histórico do Mosteirense na Taça de Portugal. Os jogadores tiveram uma grande atitude, foram realistas na abordagem ao jogo, sabendo da superioridade do Nacional, tentaram sempre fazer um pouco mais e a sua exibição não envergonhou ninguém. Sobraram os últimos 15 minutos…

Os madeirenses não deram qualquer chance, com um andamento muito superior, de outro nível e, efetivamente, a equipa cumpriu com o que Manuel Machado tinha pedido: seriedade. Os semifinalistas da anterior edição da Taça passam assim para a quarta eliminatória, sem sobressaltos. As cerca de 700 pessoas presentes no Estádio ovacionaram a sua equipa no final do jogo.

DESTAQUES
Tiquinho Soares fez um hat-trick e por isso é um dos nomes em evidência. Falhou várias oportunidades claras, mas foi sempre um quebra-cabeças para a defesa do Mosteirense. Aly Ghazal foi um imperador no meio campo. Foram inúmeras as recuperações de bola e com um grande critério no passe para iniciar o ataque da sua equipa.
João Rosinha foi sem dúvida a melhor unidade do Mosteirense até à lesão no minuto 58. O capitão dos alentejanos soube ler o jogo de ataque dos madeirenses para chegar primeiro à bola, mas depois de se lesionar a equipa sentiu grandes dificuldades.
Pedro Sereno