A FIGURA: Taremi

Entrou demasiado tarde? Agora é fácil falar. Mas a verdade é que foi o iraniano a descobrir o caminho da baliza do Chelsea, depois de mais de 180 minutos. E de que maneira? Um pontapé de bicicleta já nos descontos não foi o suficiente para reabrir a eliminatória, mas garantiu ao FC Porto o primeiro triunfo fora da história sobre uma equipa inglesa. Crise de confiança? Qual crise de confiança? O persa voador apareceu na área e fez uma acrobacia para uma vitória ao cair do tapete.

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O MOMENTO: minuto 90+4, a bicicleta chegou atrasada

Um momento belo e inglório. Taremi estava no sítio certo para fazer um dos golos desta edição da Champions. Porém, a bicicleta chegou atrasada. O FC Porto marcou nos descontos, mas os minutos escasseavam para chegar ao segundo golo que permitia levar a eliminatória para prolongamento.

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OUTROS DESTAQUES:

Pepe

Será eterno? A cada sprint fica a dúvida, que se acentua à medida que o jogo avança. Pepe joga com a frescura física de um adolescente e pensa o jogo como o veterano que é. Hoje, era vê-lo a dividir cada lance com Mount, Havertz ou Pulisic, a quem tirou o pão da boca numa oportunidade para o Chelsea já no segundo tempo. Ou então a dobrar Zaidu, com toda a fiabilidade do esteio defensivo que ainda é aos 38 anos.

Mbemba

Irrepreensível também. Se pelas laterais faltou fiabilidade a Manafá e Zaidu, no eixo da defesa os centrais portistas mostraram-se seguríssimos. O congolês esteve rápido sobre a bola e ganhou duelos atrás de duelos. Logo aos 7m, aliás, esteve no sítio certo a incercetar um remate de Mount.

Corona

«Chui! Chui!», grita-se na linha lateral de cada vez que o mexicano surge em velocidade ou a driblar pelo corredor. Pela direita, Corona foi um «Ai Jesus» para a defensiva do Chelsea. Aos 11m deu o primeiro aviso, aos 33m esteve ainda mais perto do golo. Uma exibição de muito bom nível, à vista do ex-treinador portista Lopetegui, na bancada, um admirador confesso das suas qualidades. Saiu já na segunda parte, esgotado, para dar lugar a Díaz, no momento em que Conceição decidiu arriscar.

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Kanté

Voltou ao onze, após estar plenamente recuperado de lesão, e trouxe dinamismo ao meio-campo do Chelsea. Rápido sobre a bola, Kanté ganhava divididas e rompia pelo miolo, deixando muitas vezes Uribe em dificuldades para o acompanhar. O francês é um senhor jogador. Um operário com pés de artista. Não é por acaso que foi um dos heróis do campeonato do mundo conquistado pela sua seleção. «Il est petit, il est gentil, il a stoppé Léo Messi…», como diz a canção.

Pulisic

Uma, duas, três... onze! O avançado norte-americano ganhou nada menos do que onze faltas no jogo desta noite, o maior registo de um só jogador num jogo da Liga dos Campeões nas últimas cinco (!) temporadas. Teve ainda nos pés três ocasiões de golo na segunda parte, a última das quais já nos descontos, com Marchesín a salvar.

Sérgio Pires / Enviado especial do Maisfutebol a Sevilha