Investigadores da universidade norte-americana de Boston acreditam ter resolvido o mistério de como a vida na Terra se desenvolveu a princípio sem fosfatos, compostos químicos que se tornaram essenciais na composição genética e metabolismo das células.

Num estudo publicado na revista Cell, o principal investigador, Daniel Segrè, considera que numa fase inicial do surgimento de seres vivos, os processos celulares hoje baseados nos fosfatos podem ter ocorrido com base em "algumas moléculas simples e abundantes", dependentes do enxofre, que evoluíram para um sistema mais complexo.

"Antes do nosso estudo, outros investigadores tinham sugerido uma bioquímica primitiva baseada no enxofre, indiciando que os fosfatos podem não ter sido necessários nessa fase", afirmou Segrè, acrescentando que "o que faltava eram provas de que estes processos primitivos não eram apenas reações raras mas constituíam uma rede metabólica relativamente complexa e rica".

Outro dos autores, Joshua Goldford, afirmou que sem fosfato, a vida pode ter-se desenvolvido usando o Sol como fonte de energia e "surgido ou na superfície terrestre" ou então "nas profundezas do oceano, perto de saídas hidrotérmicas".

Os fosfatos são necessários a todos os sistemas vivos e estão presentes numa grande parte das moléculas que compõem organismos biológicos.

São essenciais para as trocas de energia entre as células e fazem ainda parte da arquitetura do ADN