A investigadora Mariana De Niz obteve uma bolsa de 180 mil dólares (160 mil euros) para estudar o parasita que provoca a doença do sono, anunciou hoje o Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, onde trabalha.

A bolsa, que servirá para pagar o seu salário durante três anos e os custos do seu trabalho, é concedida pelo programa internacional de apoio à investigação em ciências da vida "Human Frontier Science Program".

Mariana De Niz é pós-doutorada do Laboratório de Biologia do Parasitismo do IMM, dirigido pela cientista Luísa Figueiredo, tendo sido a única investigadora em Portugal a ser contemplada este ano com esta bolsa, destinada a jovens pós-doutorados.

Na sua investigação, a jovem "irá explorar a dinâmica e as propriedades biofísicas" do parasita "Trypanosoma brucei" nos "tecidos dos animais vivos", refere o IMM em comunicado.

O parasita, que se transmite pela picada da mosca tsé-tsé, causa nos humanos a tripanossomíase africana, mais conhecida por doença do sono, e a tripanossomíase animal ou nagana, que afeta o gado. Ambas as doenças atingem países da região da África Subsariana.

Num estado mais avançado, a doença apresenta nas pessoas sintomas como confusão, descoordenação do corpo, formigueiro e dificuldade em dormir e, se não for tratada, pode levar à morte.

A doença do sono é uma das patologias tropicais negligenciadas, assim chamadas por estarem associadas a falta de interesse das autoridades e de investimento em novos tratamentos ou na cura.

O laboratório coordenado por Luísa Figueiredo está a estudar "os mecanismos celulares e moleculares usados pelo 'T. brucei' para ser um parasita eficaz".

No seu trabalho, a jovem cientista Mariana De Niz propõe-se "investigar como os parasitas se movem entre os órgãos".

Para isso, vai socorrer-se de "imagens, da genética e de medidas biofísicas para identificar as moléculas do parasita e do hospedeiro que formam a base da mobilidade do parasita", descreve, citada no comunicado do IMM, especificando que a espécie que provoca a doença do sono vive no sangue e em "espaços extravasculares de vários órgãos, como o tecido adiposo".