Vários cereais de pequeno-almoço populares entre as crianças e os adolescentes apresentam vestígios de glifosato, um herbicida classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano.

Esta é a conclusão de um novo estudo, divulgado esta quarta-feira pela organização ambiental The Environmental Working Group (EWG).

O relatório divulgado testou 21 produtos e todos apresentaram níveis de glifosato superiores aos que são considerados seguros para a saúde das crianças. Entre os produtos testados há vários cereais da marca Cheerios e barras ou snacks da Nature Valley.

Grandes empresas continuam a vender cereias de pequeno-almoço para crianças e outros alimentos contaminados com níveis preocupantes de glifosato, a substância que está presente no herbicida Roundup, que causa cancro", lê-se no documento.

O estudo do grupo EWG surge depois de nos últimos meses dois veredictos na justiça norte-americana terem ligado o glifosato ao aparecimento de cancro.

Em março, um júri federal da Califórnia determinou que o herbicida Roundup, à base de glifosato, contribuiu decisivamente para o aparecimento de cancro num homem.

Num outro caso, no mês passado, também na Califórnia, um júri federal condenou a Monsanto, a empresa agro-química detida pela Bayer que produz o herbicida, a pagar uma indemnização de dois mil milhões de dólares a um casal que também ficou com cancro depois de ter usado o Roundup durante vários anos.

Já em agosto do ano passado, um tribunal norte-americano tinha obrigado a Monsanto a pagar 251 milhões de euros ao jardineiro Dewayne Johnson, que acusou a gigante agrícola de ser responsável pelo linfoma que desenvolveu.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano.