A farmacêutica norte-americana Moderna anunciou esta segunda-feira que a vacina que está a desenvolver contra a covid-19 tem uma eficácia de 94,5%. Depois das vacinas da Pfizer e da desenvolvida pela Rússia, este é o terceiro anúncio relativo à efetividade de uma vacina.

Segundo a farmacêutica, que remete para os primeiros resultados da fase 3, a vacina desenvolvida tem uma forte proteção.

De acordo com o comunicado de imprensa da Moderna, a vacina permanece estável durante um período de 30 dias em temperaturas de 2 a 8ºC, o equivalente climático de uma casa ou de um frigorífico médico. A -20ºC, a vacina permanece estável até seis meses.

Em termos de distribuição e armazenamento, a mRNA-1273 deverá ser preservada a -20°C, um método mais "fácil e standard", uma vez que a maior parte das farmacêuticas tem capacidade de armazenar e de transportar mundialmente produtos a essa temperatura.

A empresa prevê continuar a trabalhar para obter informações adicionais de estabilidade nos próximos meses para avaliar se a vacina pode ser enviada e armazenada em condições cada vez mais flexíveis, "que serão descritas em detalhes após a aprovação regulatória".

A Pfizer anunciou uma vacina com 90% de eficácia, enquanto a Rússia revelou que a Sputnik V mostrou ser 92% eficaz.

O presidente da Moderna, Stephen Hoge, fala num "importante objetivo", acrescentando que o facto de ter resultados positivos em mais do que uma vacina é reconfortante.

Isto deve dar-nos esperança de que uma vacina vai ser capaz de parar esta pandemia e devolver-nos as nossas vidas. Não vai ser a Moderna a resolver a situação sozinha. Vão ser precisas várias vacinas", afirmou em declarações à agência Associated Press.

A farmacêutica espera ter cerca de 20 milhões de doses, reservadas para os Estados Unidos, até ao final de 2020. A Pfizer, juntamente com os alemães da BioNTech, espera ter cerca de 50 milhões de doses para distribuir globalmente até ao final do ano.

O estudo da vacina ainda está em curso e a Moderna reconhece que a taxa de proteção pode mudar à medida que mais infecções por covid-19 são detetadas e adicionadas aos cálculos. Além disso, é muito cedo para saber quanto tempo dura a proteção, uma realidade aplicada também à vacina da Pfizer.

Ainda assim, os observadores independentes da vacina da Moderna anunciaram resultados promissores: todos os 11 casos graves de infeção por covid-19 foram detetados em voluntários que tomaram um placebo, sinalizando que não existe qualquer problema de segurança significativo.

Os principais efeitos colaterais sentidos pelos voluntários foram fadiga, dores musculares e dor no local da injeção após a segunda dose da vacina.

As ações da Moderna dispararam com o novo anúncio do desenvolvimento da vacina e parecem estar encaminhandas para valores recordes esta segunda-feira. A vacina da empresa de Cambridge, no estado norte-americano do Massachusetts está entre as 11 candidatas em testes de estágio final em todo o mundo.

Ações da Moderna aproximam-se de valores recorde

 

A vacina da Moderna está a ser criada em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Para o ensaio estão a ser utilizados cerca de 30 mil voluntários que podem ter recebido a vacina desenvolvida ou um placebo.

O novo coronavírus, que surgiu em dezembro de 2019 na China, já infetou mais de 11 milhões de pessoas nos Estados Unidos, dos quais cerca de 245 mil morreram, Em todo o mundo são mais de 54 milhões os casos reportados, com um total de 1,3 milhões de vítimas mortais.