A tomografia computadorizada pode ser uma ferramenta útil para o diagnóstico atempado do cancro do pulmão, a neoplasia mais letal na América Latina, que causa anualmente cerca de 60.000 mortes na região, segundo estudo divulgado esta terça-feira.

Nos últimos anos, a tomografia computadorizada tem sido estudada em pessoas com maior risco de cancro do pulmão, uma vez que pode ajudar a detetar áreas anormais nos pulmões que podem ser cancerosas", explicou o cirurgião oncológico Francisco Corona, no Dia Mundial do Cancro do Pulmão, que se celebrou em 17 de novembro.

O médico, ligado ao Departamento de Cirurgia Torácica e à Unidade Funcional de Oncologia Torácica do Instituto Nacional de Cancerologia do México (INCan), disse que este estudo também pode ajudar a detetar pessoas com maior risco de desenvolver este tipo de neoplasia.

A utilização deste estudo como teste de rastreio em pessoas com maior risco de cancro do pulmão salvou mais vidas do que as radiografias ao peito e, no caso de pessoas com maior risco, se realizado anualmente, ajuda a reduzir o risco de morrer de cancro do pulmão", frisou.

Francisco Corono explicou que este é um estudo indolor e não leva mais de 30 minutos a realizar.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no México o cancro do pulmão ocupa o sétimo lugar pela sua frequência, causando 7.811 novos casos por ano, e é a principal causa de morte por cancro, uma vez que 86% das pessoas atingidas morrem dessa causa (7.044 mortes).

Isto exige tanto um diagnóstico atempado como o acesso a tratamentos inovadores que aumentem a esperança de vida dos pacientes", acentua o cirurgião.

O especialista salientou que este neoplasma continua a ser o mais agressivo e mortal do mundo, registando um aumento na sua incidência de 30% na última década, e que apenas entre 5% a 8% dos casos são detetados em fases iniciais.

Corono acrescentou que entre os problemas graves que interferem com a incapacidade de diagnosticar atempadamente a doença estão os mitos que a rodeiam.

Pensa-se que é exclusivo dos fumadores, que ocorre em pessoas mais velhas e que os doentes são estigmatizados, porque quando são fumadores chegam a pensar que merecem ter cancro", refere o especialista.

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