O Governo esclareceu esta sexta-feira que no recurso à utilização do Google Analytics pela plataforma autenticao.gov.pt que é transversal a todos os serviços públicos digitais, "não são partilhados dados sensíveis dos cidadãos ou qualquer informação com fins comerciais".

Os principais endereços do Sistema Nacional de Saúde (SNS) têm disponibilizado dados dos cidadãos para exploração comercial da Google e de outras marcas ligadas à publicidade, noticiou o jornal Expresso, que refere que, além de dados de tráfego, como os que são recolhidos pelo serviço Google Analytics, os endereços SNS24.pt e SNS.gov.pt "recolhem dados para campanhas publicitárias através do serviço Doubleclick".

De acordo com o jornal, "segundo algumas ferramentas especializadas, os 'sites' da Assembleia da República, SIRP, GNR e PSP, Ivaucher.pt e Autenticação.gov.pt também permitem exploração comercial de dados de navegação dos cidadãos".

Numa nota enviada às redações, o ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública refere que, "no caso citado do recurso à utilização do Google Analytics pela plataforma autenticacao.gov, cuja utilização é transversal a todos os serviços públicos digitais, importa clarificar a informação veiculada, uma vez que não são partilhados dados sensíveis dos cidadãos ou qualquer informação com fins comerciais".

A utilização "para fins estatísticos é alertada à entrada do 'site', referida na sua política de privacidade, pode ser bloqueada pelo próprio e nunca disponibiliza dados pessoais capazes de identificar o utilizador", lê-se ma nota sobre utilização de 'cookies' nos 'sites' do Estado.

Esclarece ainda que "a utilização de 'cookies' é uma prática generalizada, sendo que no caso dos serviços públicos tem como única finalidade a melhoria do serviço, nomeadamente através da caracterização anonimizada da experiência de utilização de quem os visita", numa explicação semelhante à que tinha feito ao Expresso.

"Estes recursos são usados pelos 'sites' para desenvolver e otimizar funcionalidades e simplificar a experiência de navegação por parte dos utilizadores", acrescenta, apontando que "existem diversos tipos de 'cookies' com funcionalidades distintas, permitindo, por exemplo, voltar atrás numa página sem perder dados já preenchidos ou obter dados para fins de análise estatística que ajudam a melhorar e adaptar os serviços às necessidades dos utilizadores".

Também hoje a Google disse à Lusa que qualquer dado enviado através "do Google Analytics ou Tag Manager pertence ao cliente", salientando que não processa nem utiliza dados ou partilha com terceiros.

O Expresso concluiu, com recurso a algumas ferramentas de monitorização de tráfego, que a recolha de dados "também contempla áreas que o SNS.gov.pt disponibiliza para utentes, agendamento de vacinas covid-19 e solicitação de medicamentos para o VIH".

Questionados pelo jornal, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) garantem que os dados servem apenas para tratamento estatístico e são anonimizados e que "não há partilha de dados pessoais com a Google ou com qualquer outra entidade externa", mas confirmam que procederam a alterações.

"Na sequência das perguntas formuladas, decidimos suspender a utilização da ferramenta Google Analytics", escrevem os SPMS, numa resposta citada pelo Expresso.

O jornal escreve ainda que "a anonimização dos dados impede que o nome do internauta seja revelado, mas não que as empresas de publicidade criem perfis do utilizador mediante localizações, temáticas preferidas, 'sites' visitados, compras efetuadas ou endereços IP armazenados pelo histórico de navegação na internet".

/ AG