Menos de metade das maiores empresas europeias acompanham os impactos das alterações climáticas nos seus relatórios anuais, que também revelam falta de informação sobre o ambiente e alterações climáticas, segundo um relatório a divulgar na quinta-feira.

O documento é publicado pelas organizações não governamentais “Climate Disclosure Standards Board” (CDSB) e Carbon Disclosure Project (CDP), que disponibilizam informação dirigida a investidores e mercados financeiros, e para que empresas, cidades e Estados possam gerir os impactos ambientais.

Segundo as organizações, que analisaram documentos das 80 principais empresas da Europa, de 12 países, apenas 44% das maiores empresas explicam nos relatórios de gestão como é que os modelos de negócios são afetados pelas alterações climáticas e pelos desafios ambientais.

Em Portugal foram analisadas duas empresas, CTT e GALP, com a segunda a merecer referências por ter um Comité de Sustentabilidade, criado em 2012, para facilitar a discussão de questões ligadas ao ambiente e às alterações climáticas e sustentabilidade. Só no ano passado o Comité reuniu-se quatro vezes.

Em termos gerais são as empresas francesas que mais referem as questões climáticas nos seus modelos de negócios, seguindo a diretiva da União Europeia de informação não financeira, que estipula que as grandes empresas têm de comunicar a sua gestão de questões sociais e ambientais.

Mas, no global, diz a análise, os relatórios anuais denotam pouca aceitação da diretiva e não são suficientemente consistentes para que investidores preocupados com riscos ambientais possam comparar informações.

De acordo com o documento, três em cada quatro empresas inclui uma descrição do modelo de negócio que não corresponde às diretrizes da União Europeia, e ainda uma menor percentagem (menos de um em cada quatro) é perfeitamente clara nas referências ao clima e meio ambiente.

A análise dos relatórios mostrou ainda que há uma grande distância entre o que as empresas consideram riscos declarados e aquilo que fazem para os resolver. Se a maior parte identifica pelo menos um risco climático ou ambiental, é também a maior parte (80%) que não tem uma estratégia específica de alterações climáticas para mitigar esse risco.

No caso dos países onde os relatórios foram obrigatórios antes da diretiva de informação não financeira, como o Reino Unido ou a França, os relatórios das empresas apresentam um melhor desempenho na matéria ambiental. Todos os relatórios das empresas destes países incluem as atuais emissões.

Mardi McBrien, diretora administrativa da CDSB, diz, citada no documento, que vai ser divulgado em Bruxelas, que “as informações climáticas e ambientais são fundamentais para o entendimento dessas grandes empresas e devem ser apresentadas aos investidores de forma consistente e comparável”.

Há grandes indícios de que a inclusão de informação sobre alterações climáticas nos relatórios de gestão é fundamental para permitir a investidores investir de forma informada, diz o documento.

A Comissão Europeia deverá rever no próximo ano a diretiva sobre informação não financeira. A Comissão, citada na análise, já disse que 50% da exposição ao risco dos bancos na área do Euro está direta ou indiretamente relacionada com riscos ligados às alterações climáticas.

Segundo a diretiva, empresas com pelo menos 500 trabalhadores devem incluir no seu relatório de gestão “uma demonstração não financeira que contenha informações bastantes para uma compreensão da evolução, do desempenho, da posição e do impacto das suas atividades, referentes no mínimo às questões ambientais, sociais e relativas aos trabalhadores, ao respeito pelos direitos humanos, ao combate à corrupção e às tentativas de suborno”.