A maior parte das atividades espaciais deverão rapidamente passar do setor público para empresas comerciais, defendeu esta sexta-feira o diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), que considera que a pandemia da covid-19 precipitou uma “transformação digital acelerada”.

Tirando aplicações militares e de segurança, que deverão permanecer sob controlo público, “muitas dessas atividades mover-se-ão para empresas comerciais. Estamos prontos para as apoiar”, afirmou Jan Wörner num seminário ‘online’ organizado pela agência espacial portuguesa, a PT Space.

Navegação, investigação científica, exploração, lixo espacial, observação civil da Terra, transporte espacial, comunicações, meteorologia espacial, observação de objetos próximos da Terra” são áreas em que “o setor público costumava fazer tudo”, mas este “é um panorama que vai mudar muito rapidamente, isso já está a acontecer e vai acelerar”, afirmou.

Jan Wörner afirmou que a ESA já está a juntar parceiros públicos e privados “para partilharem riscos e investimentos” e que as necessidades criadas pela pandemia, como o recurso cada vez maior ao ‘online’ e às tecnologias digitais, acelerou muito essas parcerias.

Esse será o modelo do “novo espaço”, referiu, que terá aplicações para a vida na Terra, como a vigilância oceânica, que poderá aproveitar às ciências do clima e do ambiente.

O empresário português Ricardo Mendes, da empresa TEkever, especializada em veículos aéreos autónomos, salientou que em Portugal, a indústria que se dedica ao espaço “é muito fragmentada” e que “é precisa cooperação internacional” para se conseguir competir com as grandes potências deste setor, como os Estados Unidos ou a China.

Somos pequenos. A nossa competição não vão ser outras empresas europeias e o nosso mercado não pode ser só a Europa. Isso seria pensar pequeno. Este mercado é global”, referiu.

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