As temperaturas no Círculo Polar Ártico atingiram novos recordes durante este sábado. Na cidade de Verkhoyans, na Sibéria, foram registados 100 graus Fahreneit, o equivalente a 38 graus Celsius.

O recorde ainda não foi validado, mas os cientistas acreditam que foi atingida uma temperatura 18 graus Celsius acima da média normalmente registada na região.

Este último dado vem na sequência de muitos outros indícios de que as temperaturas naquela zona do planeta estão a subir de forma gradual. Com efeito, os especialistas acreditam que o Ártico está a sentir o dobro dos efeitos do aquecimento global, no que ao aumento das temperaturas diz respeito.

Na pequena cidade de Verkhoyansk, onde vivem cerca de 1.300 pessoas, o clima costuma atingir proporções extremas, mas não de calor. No pico do inverno, em meados de janeiro, os termómetros podem mesmo chegar aos -42 graus Celsius. Nas alturas de maior calor, a média ronda os 20 graus Celsius.

A situação mais extrema daquela cidade russa foi registada em novembro de 2019, quando as temperaturas chegaram aos -51 graus Celsius.

A Sibéria tem sido palco de vários incêndios nos últimos meses, e os meteorologistas acreditam que os dois fenómenos podem estar ligados.

Ao longo dos meses de março, abril e maio, o Serviço de Alterações Climáticas do Programa Copernicus, da União Europeia, registou temperaturas 10 graus Celsius acima da média habitual para aquela altura do ano.

O professor Dann Mitchell, que leciona ciência atmosférica na Universidade de Bristol, refere à BBC que "de ano para ano são quebrados recordes de temperatura em todo o mundo".

Não é surpreendente ver recordes serem quebrados nesta região [Ártico]. Vamos ver mais disto no futuro", acrescenta.

Já no início do mês de junho, o Programa Copernicus tinha alertado que, no ano de 2020, se tinha registado o mês de maio mais quente de sempre.

António Guimarães