A China acusou hoje os Estados Unidos de intimidação ao proibirem o descarregamento, a partir de domingo, das aplicações TikTok e WeChat, e ameaçou retaliar.

Se os Estados Unidos persistirem nas suas ações unilaterais, a China tomará as medidas necessárias para proteger de forma resoluta os direitos e os legítimos interesses das empresas chinesas", declarou o Ministério do Comércio chinês, em comunicado.

Na sexta-feira, o Departamento do Comércio tinha anunciado que o descarregamento das aplicações digitais chinesas TikTok e WeChat vai ser proibido nos Estados Unidos, a partir de domingo, por razões de “segurança nacional”.

Os Estados Unidos cumprem, assim, a ameaça feita pelo presidente Donald Trump, que há vários meses tem vindo a alertar para os riscos destas duas aplicações, dando-as como exemplo do potencial de interferência chinesa.

No entanto, Washington deixou uma porta aberta à TikTok, aplicação de partilha de vídeos, antes de proibir completamente a empresa de operar em solo norte-americano.

O presidente dá até 12 de novembro para se resolverem os problemas de segurança nacional colocados pela TikTok. As proibições poderão ser levantadas consoante as circunstâncias", acrescentou a mesma nota.

O anúncio surge quando se arrastam as negociações com a ByteDance, empresa chinesa proprietária da TikTok, para ceder as atividades nos EUA a um grupo norte-americano.

Também na sexta-feira, a aplicação chinesa TikTok condenou a decisão norte-americana de proibir o seu descarregamento, a partir de domingo nos Estados Unidos, e assegurou ter apresentado todas as garantias de respeito da segurança dos utilizadores, em "níveis sem precedentes de transparência e responsabilidade suplementares, muito além do que as outras aplicações estão prontas a fazer".

A aplicação TikTok é muito popular entre os adolescentes, tem cerca de 100 milhões de utilizadores nos Estados Unidos e quase mil milhões em todo o mundo.

China anuncia mecanismo para restringir atividades de empresas estrangeiras

O governo chinês anunciou hoje a criação de um mecanismo para restringir as atividades de empresas estrangeiras, medida vista como uma represália contra os Estados Unidos.

O anúncio do Ministério do Comércio chinês, efetuado no meio da crescente tensão entre Pequim e Washington, não identificou qualquer empresa estrangeira.

De um modo geral, menciona uma série de situações que podem colocar as empresas numa futura "lista de entidades não fiáveis", passíveis de multas, restrição de atividades ou entrada de material e de pessoal na China.

Esta lista incluirá as empresas cujas atividades "causem dano à soberania nacional da China e aos seus interesses em matéria de segurança e de desenvolvimento" ou que violem "as regras económicas e comerciais internacionalmente aceites", de acordo com o Ministério.

As tensões entre os Estados Unidos e a China estão a aumentar, desde agosto, quando Donald Trump, em campanha eleitoral para a reeleição, apresentou um ultimato à TikTok, que acusou de espionagem industrial a favor de Pequim, sem ter divulgado quaisquer provas.

O gigante das telecomunicações chinês está também numa "lista negra" norte-americana para a impedir de adquirir tecnologias dos Estados Unidos indispensáveis aos telemóveis que produz. Washington estão também a pressionar a Europa para que exclua a Huawei das futuas redes de telecomunicaçoes móveis de quinta geração (5G).

/ CM