É a primeira fotografia de sempre de um buraco negro. A imagem, divulgada esta quarta-feira, foi registada pelos cientistas do telescópio "Event Horizon" e é um marco histórico que vem comprovar a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, apresentada há mais de um século.

O anúncio foi feito com pompa e circunstância, esta quarta-feira, através de conferências realizadas em várias cidades - Bruxelas, Washington, Santiago do Chile, Xangai, Tóquio e Taipei. As conclusões foram também publicadas no jornal científico Astrophysical Journal Letters.

O buraco negro registado tem um tamanho que é cerca de três milhões de vezes superior ao da Terra e que é ainda maior do que o do Sistema Solar. Foi, por isso, descrito pelos cientistas como um “monstro”.

Com uma massa que é 6.500 milhões de vezes maior do que a do Sol, este buraco negro está no centro da supergaláxia Messier 87 (M87), na constelação da Virgem, a 55 milhões de anos-luz da Terra.

O que vemos é maior do que o tamanho do nosso Sistema Solar", afirmou o investigador Heino Falcke, da Universidade Radboud, na Holanda, um dos investigadores do projeto, em declarações à BBC.

"Acreditamos que é um dos maiores buracos negros que já existiu. É absolutamente monstruoso, um peso pesado dos buracos negros do Universo", sublinhou.

A investigação é uma colaboração internacional financiada pela União Europeia, que envolveu uma equipa de 200 cientistas. Os investigadores combinaram o poder de oito radiotelescópios de todo o mundo para registar pela primeira vez o fenómeno.

Na sede da Comissão Europeia, coube ao comissário europeu Carlos Moedas, titular da pasta da Investigação, Ciência e Inovação, apresentar, juntamente com vários cientistas, o que foi classificado com “uma descoberta científica de primeira grandeza”, que constitui “uma prova visual da existência de buracos negros”, até agora sempre representados por simulações.