O presidente do Centro Espacial Russo Roscosmos assumiu durante esta semana que Vénus é, de facto, um “planeta russo”.

A afirmação partiu de Dmitry Rogozin durante uma entrevista à agência noticiosa TASS, durante a qual avançou que a Rússia está a planear enviar astronautas numa missão ao planeta.

A exploração de Vénus está na nossa agenda. Nós acreditamos que Vénus é um planeta russo”, disse Rogozin  durante a conferência HeliRussia 2020 realizada em Moscovo.

O presidente do Centro Espacial sublinhou que os projetos nacionais para a exploração de Vénus estão incluídos no plano espacial do governo para 2021-2030.

 Dmitry Rogozin falava aos jornalistas um dia após uma equipa internacional de astrofísicos, incluindo a portuguesa Clara Sousa-Silva, ter descoberto que as núvens de Vénus têm fosfina, um gás que na Terra é produzido naturalmente por bactérias, que são organismos vivos.

Clara Sousa-Silva investigou a fosfina como uma "bioassinatura" de gás de vida anaeróbica (sem oxigénio) em planetas que orbitam outras estrelas sem ser o Sol, uma vez que "a química normal não explica este fenómeno".

A fosfina (designação comum de hidreto de fósforo) é um gás incolor e tóxico.

Na Terra, é usada para controlar pragas de insetos em sementes armazenadas em silos ou na indústria de semicondutores, sendo produzida de forma biológica por microrganismos que se desenvolvem em ambientes anaeróbicos.