Uma “colagem digital” do artista Beeple foi vendida na quinta-feira em leilão através da internet por 69,4 milhões de dólares (58,4 milhões de euros), valor recorde para obras não físicas. 

Segundo a leiloeira Christie's, 22 milhões de pessoas assistiram ao final da licitação, em que participaram compradores de 11 países, culminando na milionária venda de “Todos os dias: os primeiros 5.000 dias", uma colagem de fotografias tiradas pelo artista desde maio de 2007 ao longo de 5.000 dias. 

22 million people tuned in for the final moments of @Beeple's historic sale this morning, which totaled $69.3 million. Relive it from the artist's POV in this link! #beeple #digitalart #digitalartist #artist #art #thefirst5000days #nft https://t.co/XaREV5Fdvu

— Christie's (@ChristiesInc) March 11, 2021

O valor arrecadado coloca Beeple como “um dos três mais valiosos artistas vivos”, disse a Christie's, que não divulgou a identidade do comprador.

Segundo a leiloeira, este foi o primeiro grande leilão de uma obra digital certificada com um “token” não-fungível (NFT, na sigla inglesa), e também a primeira vez em que foi usada cripto-moeda para pagar a obra adquirida.  

Reagindo ao resultado do leilão, Beeple - cujo verdadeiro nome é Mike Winkelmann - celebrou o uso dos NFT, que recorrem à tecnologia Blockchain, na autenticação e coleccionismo de arte.  

Acredito que estamos a testemunhar o início do próximo capítulo da história da arte, a arte digital”, disse o artista.

A comercialização de obras com NFTs tem vindo a disseminar-se rapidamente nos Estados Unidos, onde artistas estão disponibilizar obras autenticadas com estes “tokens”, caso da banda Kings of Leon com o seu mais recente álbum.

Recentemente, uma empresa de “Blockchain” comprou uma obra do famoso artista britânico Banksy, destruiu-a, e depois colocou à venda uma versão digital com NFT. 

O próprio fundador do Twitter, Jack Dorsey, está a leiloar a seu primeira mensagem nesta rede, tendo recebido uma oferta de 2,5 milhões de dólares (2 milhões de euros), comprometendo-se a usar receitas em ações de beneficência.

/ MJC