Oito anos depois de ter sido criado num dormitório da universidade de Harvard, o Facebook prepara para sexta-feira aquela que deverá ser a maior entrada em bolsa por uma tecnológica, num total acima de 12,5 milhões de euros.

De acordo com o documento enviado na quarta-feira à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana (SEC, no original), serão colocadas no mercado 421.233.615 ações da rede social, estimando-se que o valor unitário esteja entre os 27 e os 30 euros, o que, caso se concretize, vai completar mais de 12,5 milhões de euros e fazer história como a maior entrada em bolsa tecnológica e uma das maiores de sempre.

Os números que descrevem a marca Facebook, criada por Mark Zuckerberg, em 2004, e transferida para o cinema por David Fincher, em 2010, são quase todos acompanhados por um carril de zeros: 901.000.000 de utilizadores mensais em março de 2012, 526.000.000 de utilizadores diários, 3.200.000.000 de likes e comentários diários, 125.000.000.000 de relações estabelecidas.

A rede social «está a mudar o tecido de como as pessoas comunicam», diz o vice-presidente da empresa Chris Cox no vídeo criado para apresentar a potenciais investidores, acrescentando que «cada pessoa tem uma história» interessante que deve ser partilhada.

«A missão do Facebook é fazer com que o mundo se torne mais aberto e interligado. Pensamos que as vidas das pessoas vão ser melhores quando houver mais informação e compreensão sobre as grandes coisas do mundo e sobre as coisas mais pequenas que estão a acontecer em seu redor», explica o presidente e fundador Mark Zuckerberg no mesmo vídeo.

A estrutura acionista da empresa tem sido alvo de especulação ao longo do tempo, tendo chegado a ser criada uma página na Internet de nome «De quem é o Facebook?», que distribui o controlo da rede social por Zuckerberg com 28,2 por cento, 10 por cento da Accel Partners, 7,6 por cento nas mãos do antigo funcionário Dustin Moskovitz, 5,4 por cento na posse da Digital Sky Technologies e quatro por cento com Eduardo Saverin, o brasileiro que participou no momento da criação da página.

Porém, segundo o documento enviado à SEC, Zuckerberg vai controlar 55,8 por cento do poder de voto após a entrada em bolsa, exercendo um controlo significativo sobre a empresa, que faz parte dos fatores de risco enumerados no prospeto.

O Facebook está sediado na Califórnia, nos Estados Unidos, e conta com mais de 3.500 funcionários, segundo informações disponíveis na sua página, tendo faturado perto de três mil milhões de euros em 2011, perto do dobro das receitas de 2010.
Redação / MM