O Ministério da Saúde do Brasil confirmou esta semana o primeiro caso de reinfeção por covid-19 no país. O acontecimento é raro, e até ao momento há poucas situações documentadas, sendo uma delas em Portugal.

A virologista Marilda Siqueira, do Instituto Oswaldo Cruz, explicou, em entrevista à CNN, que pequenas diferenças nos genomas dos vírus que estão em circulação podem levar a uma nova infeção em pacientes que tenham recuperado da doença.

Essas diferenças não indicam uma maior gravidade da doença, pelo que sabemos até agora, mas este é um fenómeno que acontece com vários vírus que, ao longo de uma pandemia, em que há uma circulação intensa, podem apresentar diferenças no genoma", afirmou.

A especialista aponta que existem vários tipos de coronavírus em circulação em todo o mundo, apontando o caso específico de reinfeção no Brasil: "A paciente apresentou, num primeiro episódio, uma linhagem do vírus e, 116 dias depois, foi infetada com outra linhagem".

Marilda Siqueira refere que a probabilidade de reinfeção, mesmo que por via de um outro genoma, pode estar relacionada com o sistema imunitário: "Tem que ver com a resposta individual de cada pessoa à infeção".

A virologista afirma que há determinados critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde que tipificam um caso de reinfeção, sendo que este terá sido o primeiro no Brasil a obedecer a esses parâmetros.

Já recebemos vários casos suspeitos de reinfeção no nosso laboratório. Muitos foram descartados e outros estão sob investigação", concluiu.

Numa altura em que estão em desenvolvimento vacinas de vários projetos, não é ainda claro que uma vacina contra a covid-19 possa imunizar uma pessoa contra todos os subtipos do novo coronavírus.

António Guimarães