Chama-se budesonida, é um glicocorticóide presente em muitos dos inaladores para a asma e é capaz de diminuir o tempo de recuperação da covid-19, segundo um estudo realizado no Reino Unido.

Este é um medicamento barato e que, usualmente, é utilizado no tratamento de casos de asma e de doenças derivadas do tabagismo.

Quase um ano e meio desde o primeiro caso de covid-19 ter sido identificado em Wuhan, a toma de paracetamol continua a ser, praticamente, o único tratamento para a covid-19 que os doentes podem tomar em casa.

No entanto, os investigadores da Universidade de Oxford garantem que duas inalações de budesonida, duas vezes ao dia, aceleram o tratamento da covid-19 em doentes com mais de 50 anos e sintomas ligeiros da doença.

O diretor do sistema de saúde britânico (NHS), Stephen Powis, admite que os profissionais de saúde possam agora começar a prescrever a budesonida inalada "quando houver um benefício médico para os pacientes após uma conversa de decisão compartilhada".

O estudo envolveu mais de 1.700 pessoas em risco de terem casos severos de covid-19. Todos os pacientes tinham mais de 50 anos, pertencentes a um grupo de risco, ou tinham mais de 65 anos, sem qualquer problema de saúde.

Durante as primeiras duas semanas de sintomas, 751 participantes receberam um inalador com budesonida que deveriam utilizaram duas vezes por dia.

Este grupo, recuperou da covid-19, em média, três dias antes do que os restantes, que apenas receberam o tratamento tradicional: descanso e paracetamol.

A maioria dos pacientes infetados com covid-19 permanecem na comunidade. Algo que os possa ajudar a sentirem-se melhor três dias antes é significante”, explica o professor Gail Hayward, um dos investigadores principais do estudo.

Um terço dos pacientes que recebeu o tratamento experimental recuperou da doença em menos de 14 dias. Já entre os elementos que receberam paracetamol, menos de um quarto das pessoas recuperou nas primeiras duas semanas.

Verificaram-se ainda sinais de houve menos casos de internamentos nos que tomaram a budesonida. Apenas 8,5% dos elementos do tratamento experimental foram admitidos em unidades hospitalares, comparando com os 10,3% entre os restantes.

Os resultados finais do estudo, que vão incluir mais dados, deverão ser publicados no final do mês de abril.

Nuno Mandeiro