O comissário europeu para a Ciência e Inovação defendeu, esta segunda-feira, que falta à Europa ligar a ciência que faz aos grandes problemas do mundo e acrescentou que é a trabalhar em conjunto que a Europa resolve esses problemas.

O que nos falta é ter esse orgulho europeu de ligar a ciência às soluções para os problemas. Acho que muitas vezes hoje fazemos a melhor ciência do mundo na Europa mas depois não conseguimos ligar essa ciência às soluções para aquilo que são os grandes problemas da humanidade”, disse Carlos Moedas, que participou esta segunda-feira nas Conferências do Estoril, um ciclo bianual e internacional de conferências sobre globalização.

Coube a Carlos Moedas inaugurar as conferências, num primeiro dia dedicado aos jovens, que encheram a plateia, a quem disse que vivem um momento extraordinário e cheio de oportunidades mas que é preciso não dar tudo como adquirido e estar atento à Europa (União Europeia) e à sua construção e não desagregação.

Num mundo de crises mas também de oportunidades, é preciso encontrar uma maneira de ligar o desenvolvimento tecnológico ao sentido da vida, de não sentir um vazio apesar da facilidade de conexão com o resto do mundo, disse.

Penso que o grande desafio desta geração, de 16 ou 17 anos, vai ser essa ligação entre o mundo digital, o mundo físico e o sentido do que é a nossa vida, o que vamos melhorar no nosso planeta, como é que vamos mudar a economia e criar uma economia circular, com menos desperdício, como vamos curar doenças como o Alzheimer, como o cancro”, disse à Lusa após a conferência o comissário responsável pela área da investigação, ciência e inovação.

Moedas não falou tanto de ciência mas mais de juventude, do momento excecional em que estão a viver, e que apesar dos problemas, do sofrimento e das ameaças, apesar das crises, sejam financeiras, de refugiados ou de terrorismo, este é um tempo melhor do que foi o passado.

Hoje há menos mortes por desastres naturais, menos pobreza, mais facilidade de ligação e vive-se em paz numa Europa que "representa 7% da população e produz 34% da ciência no mundo”.

Mas o comissário alertou também os jovens que não devem dar todos os avanços como adquiridos, porque a Europa representa cada vez menor percentagem da população mundial, cada vez menor percentagem do Produto Interno Bruto, porque que há os eurocéticos, o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e o aumento do populismo. E porque o caminho não é voltar atrás cabe a eles moldar o destino da Europa, porque o podem fazer e é sua responsabilidade.

“Tenho a sensação de que esta geração toma por adquirido tudo o que temos, a Europa que temos, passar de uma fronteira para outra sem mostrar passaporte, arranjar trabalho num país diferente (…). É algo que não podemos tomar como adquirido, tudo pode voltar para trás se não defendermos o processo e o projeto europeu”, disse à Lusa, lembrando os populismos e extremismos dentro do projeto europeu.

A verdade é que, disse, ninguém sozinho, no seu país, pode curar doenças como o Alzheimer o ou cancro, sem trabalhar com pessoas de todo o mundo.

Carlos Moedas concluiu que hoje, por muito que se fale em fronteiras, “as fronteiras físicas existem mas não significam absolutamente nada, porque não há nada, nenhum problema, que se consiga resolver apenas dentro de fronteiras, e temos de criar esse orgulho europeu de ser a capacidade, a plataforma, hoje no mundo, que resolve problemas”.