Muitas cidades estão, literalmente, à pinha, com excesso de habitantes e carência de habitação. A pensar neste problema, um jovem de 23 anos encontrou a solução: uma casa de bambu de baixo custo que pode ser construída em apenas quatro horas.

De tal forma útil e necessário, este projeto acaba de receber o prémio Cities for Future (Cidades do Futuro), no valor de 50 mil libras, qualquer coisa como 56.400 euros, da Royal Intitute of Chartered Surveyors (RICS) para erguer lares a partir do próximo ano.

O agraciado, Earl Patrick Forlales, que estudou engenharia de materiais, conseguiu criar uma casa – a que chamou CUBO - que custa apenas 50 libras (56 euros) por metro quadrado, tornando-a muito acessível, mesmo a quem tem baixo poder de compra.

O jovem inspirou-se na habitação rural dos avós, feita também de bambu. O tipo que ele utiliza passa por um tratamento e é laminado, para ter “uma vida útil dez vezes maior”, explica a RICS no seu site.

De Manila, a caótica capital das Filipinas onde vivem 12 milhões de pessoas, quatro milhões delas em favelas, Earl Patrick Forlales sabe que o problema deverá agravar-se. Antecipa-se que a cidade deverá ter mais 2,5 milhões de trabalhadores nos próximos três anos.

A ideia é, precisamente, que estas casas pré-fabricadas possam ser o lar de pessoas pobres, que vivem nas favelas.

A CUBO é uma solução de alojamento modular que utiliza bambu de origem local e abundante para construir rapidamente uma casa digna e de bom tamanho, 4 horas após a chegada da equipa de instalação ao local. Múltiplas residências podem ser configuradas juntas [tipo casas geminadas] em múltiplos arranjos para permitir que os residentes aproveitem as cozinhas comunitárias, casas de banho ou escritórios, e fomentar um sentido de comunidade”, explica-se no site da RICS.

Com a vantagem acrescida de, além de funcionar, serem projetadas para transformar o lixo que a comunidade produz em energia e noutro tipo de recursos.

Os telhados inclinados, por exemplo, têm como objetivo captar água da chuva e as palafitas ajudam a prevenir danos em caso de cheias.

O projeto pode – é isso que pretende – ser replicado noutras cidades superpopulosas. Para que continuem a ser de baixo custo, a premissa será que nesses lugares haja a matéria-prima. O sudeste asiático, alguns países de África e da América Latina têm bambu em fartura.

Já se fizeram contas ao custo: antecipa-se que as casas poderão ser alugadas por menos de 25 cêntimos por dia, o que significa que cada unidade teria lucro dentro de pouco mais de cinco anos. No caso de Manila, seria acessível mesmo para os trabalhadores com os salários mais baixos da cidade.

Ou seja, não se trata de mais uma invenção tecnológica para bolsos recheados, pode ser a casa de qualquer pessoa.