O uso frequente do GPS está afetar o funcionamento do nosso hipocampo, a área do cérebro responsável pela memória e pelo sentido de orientação.

O Google Maps, o Waze ou qualquer outra aplicação de geolocalização estão a substituir aquilo que, durante milhares de anos, foi uma função humana: a localização. Se o cérebro parar de procurar caminhos e dedicar-se só a obedecer às instruções, é muito provável que se deteriore, afirma uma investigação publicada na revista Science

Mar González Franco, co-autor do estudo e um dos líderes da investigação neurocientífica da Microsoft, afirma que se as pessoas utilizarem muito o GPS vão perder gradualmente a capacidade de criar mapas mentais, o que diminui as suas capacidades de orientação e prejudica a produção de memórias.

Com o GPS convencional, áreas muito arcaicas do cérebro que funcionam há séculos deixam de ser estimuladas e corremos o risco de isso afetar a nossa saúde mental na velhice”, explica, citado pelo jornal El Pais.

O paradoxo revelado no artigo é evidente: as aplicações de navegação permitem-nos chegar a mais lugares mas, ao mesmo tempo, tornam-nos piores exploradores. 

“O GPS está a tornar-nos mais burros”, diz González Franco.

Um estudo publicado há algumas semanas na revista especializada Transportation Research Interdisciplinary Perspectives compara o desempenho de motoristas que usaram o Google Maps para chegar a um lugar e de motoristas que usaram um mapa de papel convencional para chegar ao mesmo destino.

Os resultados da experiência reforçam a ideia de que com o GPS somos passageiros passivos e não exploradores ativos. No final, os motoristas que usaram mapas antigos  estavam mais conscientes do percurso realizado, tinham mais pontos de referência e conseguiam facilmente refazer a rota sem se desorientarem.

De acordo com Eran Ben-Elia, autor deste artigo e investigador do Departamento de Geografia e Desenvolvimento Ambiental da Universidade Ben-Gurion de Israel, o desequilíbrio no desempenho dos dois grupos de motoristas pode ser atribuído às diferenças no esforço realizado na tarefa de orientação.

Seguir passivamente as instruções audiovisuais de um GPS não exige aos motoristas que interpretem as informações e monitorizem constantemente a sua posição no espaço."

Maria João Caetano