A atmosfera do exoplaneta WASP-76b, onde chovem gotas de ferro durante a noite, é ainda mais quente do que os cientistas pensavam.

Uma investigação liderada pela Universidade de Cornell, nos EUA, denominada “ExoGemS”, detetou sódio e cálcio ionizados na atmosfera do planeta, o que pode significar que a temperatura do astro é ainda mais alta do que o previsto.

Esta assinatura espectral de cálcio ionizado pode indicar que o exoplaneta tem ventos muito fortes ou que a temperatura atmosférica é muito mais alta do que pensamos", explicou Emily Deibert, co-autora do estudo num comunicado. 

O projeto reuniu vários cientistas que estudam a diversidade da atmosfera dos exoplanetas, que são planetas localizados fora do nosso sistema solar.

Os resultados da pesquisa foram publicados, no dia 28 de setembro, na revista científica Astrophysical Journal Letters e apresentados esta terça-feira na reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronómica Americana.

À medida que detetamos remotamente dezenas de exoplanetas, abrangendo uma gama de massas e temperaturas, desenvolveremos um quadro mais completo da verdadeira diversidade de mundos extraterrestres, desde aqueles quentes o suficiente para hospedar chuva de ferro até outros com climas mais moderados", afirmou Ray Jayawardhana, co-autor do estudo em comunicado.

É notável que, com os telescópios e instrumentos de hoje, já possamos saber muito mais sobre as atmosferas - os seus componentes, propriedades físicas, a presença de nuvens e até mesmo padrões de vento em grande escala - de planetas que orbitam estrelas a centenas de quilómetros Luz anos de distância", acrescentou.

Descoberto em 2016, o exoplaneta tem aproximadamente o tamanho de Júpiter e orbita uma estrela na constelação de Peixes, a 640 anos-luz de distância da Terra.

De acordo com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), a chuva de ferro só é possível porque o WASP-76b tem uma rotação síncrona, ou seja, “demora tanto tempo a completar uma rotação com a dar uma volta em torno da sua estrela”.

O instituto salienta também que a “pequena distância” que separa este planeta da sua estrela, uma vez que dá uma volta a cada 1,8 dias, faz com que o seu lado diurno “receba milhares de vezes mais radiação da sua estrela do que a Terra recebe do Sol”.E acrescenta, “tornando-se tão quente que as moléculas se separam em átomos, com os metais, tais como o ferro, a evaporarem-se para a atmosfera”.

A diferença de temperatura entre os lados diurno e noturno provoca, segundo a investigação, “ventos violentos” que acabam por transportar o vapor de ferro do lado diurno para o lado noturno, onde a temperatura é relativamente mais fria, cerca de 1.500 graus celsius.

O vapor de ferro condensa-se então em nuvens, causando uma chuva de gotas ferro.

Redação / IC