Portugal também sentiu as consequências do ciberataque que atingiu 150 países do mundo na passada sexta-feira. Esta segunda-feira começou uma nova vaga e já há relatos na Ásia de diversos problemas. Ao nível dos organismos públicos nacionais não se registaram grandes problemas. O Ministério da Saúde, como forma de prevenção, confirmou à TVI24 que optou por não usar emails desde sexta-feira.

Veja aqui a Circular Normativa, com as Medidas excecionais de Cibersegurança, onde o ministério deixa um apelo "a todos os profissionais do SNS". 

Em declarações à TSF, Pedro Veiga, coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, o organismo estatal ao qual compete gerir os sistemas de computadores do Estado, avançou que o número de falhas na administração pública é "limitadíssimo". No entanto, garantiu que apesar do impacto pequeno, a administração pública portuguesa vai manter-se em alerta. 

Pedro Veiga escusou-se a identificar as entidades públicas afetadas, mas acrescentou que está a ser investigado pela Polícia Judiciária.

Fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) confirmou, à agência Lusa, que os serviços de saúde se mantêm sem qualquer registo de incidente relativo a ataques informáticos, mas têm orientações para seguir medidas de precaução.

Até às 14:00 de hoje, não houve registo de nenhum problema ou incidente relacionado com o ataque informático de grandes dimensões à escala internacional. A mesma fonte acrescentou não ter registo de sistemas informáticos que estejam inoperacionais por via de um ataque e disse não haver indicações para desligar os sistemas que interferem com os serviços aos utentes.

Justiça e Educação sem registo de incidentes

Também o Ministério da Justiça (MJ) garantiu que não registou incidentes nos seus serviços causados pelo ciberataque, mas admitiu poder verificar-se alguma lentidão nas conservatórias devido à instalação de ‘software’ de segurança.

Não há qualquer incidente provocado pelo ‘malware’ [‘software’ que se infiltra num computador alheio de forma ilícita, causando danos, alterações ou roubo de informações] na rede do Ministério da Justiça", assegurou o MJ, em resposta à agência Lusa, sublinhando que "todos os sistemas centrais dos tribunais e registos estão a funcionar".

O MJ referiu contudo que, em algumas conservatórias, face à instalação de ‘software’ adicional de segurança nas máquinas, pode verificar-se "alguma lentidão nos computadores, o que eventualmente se poderá refletir na capacidade de atendimento".

Esta situação poderá ainda prolongar-se ao longo do dia de hoje a até quarta-feira, adiantou o Ministério dirigido por Francisca Van Dunem.

O MJ salienta que as "medidas de precaução adequadas" foram tomadas ainda na sexta-feira e que foi enviado pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) um e-mail de aviso aos funcionários e colaboradores, assim como a todos os organismos do Ministério da Justiça para divulgação pelos seus funcionários.

Os serviços do Ministério da Educação também emitiram uma recomendação às escolas no sentido de alertarem todos os colaboradores para não abrirem mensagens de origem desconhecida.

De acordo com a mesma fonte, até ao momento não foi reportado “nenhum problema grave de segurança informática”.

A Europol já reconheceu que o ciberataque lançado na sexta-feira, conhecido como WannaCry, contra vários países e organizações foi de "um nível sem precedentes" e vai exigir “uma investigação internacional complexa para identificar os culpados".

Em Portugal, a empresa de energia EDP cortou os acessos à Internet da sua rede para prevenir eventuais ataques informáticos e garantiu que não foi registado qualquer problema, enquanto a Portugal Telecom alertou os seus clientes para o vírus perigoso ('malware') a circular na Internet, pedindo aos utilizadores que tenham cautela na navegação na rede e na abertura de anexos no correio eletrónico.

PJ ainda desconhece origem mas avisa que é "persistente e de grande dimensão"

Entretanto, o diretor da Unidade de Combate ao Cibercrime da Polícia Judiciária avisou hoje que o ciberataque lançado na sexta-feira contra vários países, incluindo Portugal, é "persistente e de grande dimensão", desconhecendo-se ainda a sua origem.

"Não se sabe a origem. É algo que estamos a apurar", disse à Lusa Carlos Cabreiro, referindo que o ataque se processou através da distribuição maciça de ‘malware’/‘software’ que se infiltra num computador alheio de forma ilícita, causando danos, alterações ou roubo de informações) e foi sentido a partir da última sexta-feira.

Segundo aquele diretor da Polícia Judiciária, o ciberataque, feito através de e-mail com um ‘link’ que infeta o computador, foi "dirigido essencialmente a empresas de telecomunicações ou com alguma projeção", mas qualquer pessoas que tenha interação com empresas e particulares também pode ser infetado, ajudando a generalizar o ataque informático.

Carlos Cabreiro notou que algumas empresas conceituadas, que dispõe de engenheiros informáticos próprios, estão a analisar o nível de impacto e a tomar medidas para lidar com o problema.

Adiantou que esta unidade da PJ está a cooperar com o Centro Nacional de Cibersegurança e com a própria Europol no sentido de serem tomadas todas "as precauções" possíveis para enfrentar o ciberataque, cujo grau de sofisticação é "difícil de medir", embora seja "persistente e de grande dimensão".