A pandemia está a obrigar ao confinamento de milhares de milhões pessoas, com especial incidência no hemisfério norte e nos países ocidentalizados. Mais pessoas em casa é sinónimo de mais utilizadores online e mais interações na rede tornam o negócio dos ataques informáticos mais apetecível. O alerta é da CheckPojnt, uma empresa de cibersegurança com sede em Israel. Desde que a Covid-19 se tornou numa pandemia que, segundo os especialistas, o número de ciberataques aumentou.

A empresa israelita avança que a maior parte destes novos ataques usa precisamente o tema do novo coronavírus para atrair os mais incautos: através de páginas falsas que prometem curas e supostas aplicações de monitorização do vírus, os piratas informáticos conseguem, com apenas um clique, enviar software malicioso para os computadores e smartphones de todo o mundo. Depois de concretizarem o ataque, que rouba dados ou encripta ficheiros, a prática mais comum é pedirem resgates para a recuperação dos mesmos.

Em média, e tendo em conta apenas os ataques que usam a temática da Covid-19, registam-se 2600 ocorrências diárias. Contudo, o pico dos ataques remonta a 28 de março, dia em que se registou praticamente o dobro. Só que as tentativas de invasão informática não afetam apenas particulares. Omer Dembinsky, gestor de dados da Check Point, diz que os ataques também chegam às grandes empresas e que nestes momentos de crise, um só ataque pode ter dois alvos:

‘’Claramente os hackers estão a mudar os seus alvos, focados em organizações e empresas, para a grande maioria que agora trabalha a partir de casa e para atividades com grande alcance de utilizadores privados, como a Zoom e a Netflix.’’

A Netflix, por exemplo, tem reportado inúmeras tentativas de acesso às suas bases de dados, com o intuito de aceder a diversos dados dos utilizadores, incluindo as informações relacionadas com pagamentos e cartões de crédito, usados para subscrever o serviço de televisão e cinema on demand.

Na mesma lógica da prevenção para o contágio pelo novo coronavírus, também há práticas de higiene – desta vez informática –, que os utilizadores da internet devem ter em conta cada vez que navegam ou que consultam novas páginas e aplicações. De acordo com a Check Point, os internautas devem sempre verificar o domínio do site, ou o programador (no caso das aplicações); devem desconfiar cada vez que uma determinada página solicite dados pessoais para pagamentos, ofertas ou encomendas que não foram feitas; é aconselhada ainda a leitura das políticas de privacidade de cada aplicação e é recomendado que qualquer download seja executado através dos fabricantes oficiais de cada sistema operativo.

Ainda assim, a proteção não está garantida. Há aplicações disponíveis nas lojas oficiais, que não são mais do que armadilhas para o roubo de dados pessoais. No entanto, seguindo estas recomendações, reduz-se a probabilidade de cair num ataque informático. À semelhança da Covid-19, também os ataques informáticos são invisíveis e muitas vezes assintomáticos, mas podem provocar muitos estragos. Por isso, o melhor é mesmo adotar comportamentos preventivos.

João Morais do Carmo