Um grupo de cientistas conseguiu desvendar alguns segredos sobre o maior macaco que já existiu. Sabe-se agora que o macaco tinha três metros de altura, pesava 600 quilos, viveu na China há 1,9 milhões de anos e é “primo distante” do orangotango.

O Gigantopithecus blacki foi identificado em 1935 através de um único dente. Nas últimas décadas, foram encontrados outros dentes e quatro mandíbulas parciais e agora, através de uma técnica inovadora, foi possível saber mais sobre este animal.

Nesta investigação, publicada na revista “Nature”, os cientistas compararam a sequência de aminoácidos de uma proteína extraída do esmalte do dente do primata com espécies que hoje habitam o planeta.

Os cientistas concluíram desde logo que se tratava de uma fémea e que a espécie partilhou um ancestral comum com os orangotangos há entre 10 e 12 milhões de anos.

Acredita-se que a extinção aconteceu quando as mudanças ambientais transformaram as florestas em que vivia em savana. 

A probabilidade de encontrar ADN ancestral em regiões com um clima tropical é considerada baixa porque o material genético tende a deteriorar-se rapidamente em regiões mais quentes.

Mas este estudo, que analisou uma amostra encontrada numa caverna na região chinesa de Guangxi, de clima subtropical, revela que algumas proteínas podem resistir mesmo com elevadas temperaturas.

Por este motivo, a investigação dá esperanças de que, no futuro, seja possível analisar outros ancestrais extintos em regiões de clima mais quente.

Desta forma, poderemos no futuro estudar a evolução da nossa própria espécie no decorrer de um longo período de tempo", explicou Frido Welker  investigador de antropologia molecular na Universidade de Copenhaga e um dos autores pesquisa.