Investigadores da Universidade de Dundee, na Escócia, estão a desenvolver um método contracetivo que pode evitar milhões de gravidezes indesejadas. A pílula masculina pode estar a chegar, depois de anos de investigação com algumas falhas a impedir o sucesso.

Métodos anteriores provocavam efeitos secundários inesperados, não atraindo interesse por parte da indústria farmacêutica. Já a fundação de Bill Gates mostrou-se interessada pelo conceito e decidiu financiar a investigação, conta a BBC.

No laboratório daquela cidade escocesa, os cientistas analisam milhares de compostos químicos para encontrarem um que possa parar os espermatozoides no seu caminho.

Os espermatozoides movem-se muito rapidamente nos humanos”, afirma o professor Christopher Barratt, que lidera o grupo de Medicina Reprodutiva na universidade. “É a velocidade de Usain Bolt, se quiserem uma analogia. O que tentamos fazer é encontrar químicos que parem esse tipo de movimento”, acrescentou o especialista.

O responsável pela equipa de pesquisa acredita que a inovação neste campo ainda está muito atrasada, tal como Bill Gates.

Por essa razão, a Fundação Bill e Melinda Gates decidiu ajudar ao desenvolvimento da área científica e atribuiu um investimento de 900 mil dólares (pouco mais de 800 mil euros) à universidade para arrancarem os trabalhos de pesquisa da pílula masculina.

Se olharmos para os primórdios dos contracetivos masculinos reparamos que o último desenvolvimento foi em 1450 A.C., que é quando se deu o desenvolvimento do preservativo”, sublinhou Barratt, que afirmou estar à procura de um método semelhante ao atual feminino.

Paul Andrews, diretor de operações do Centro Nacional de Triagem Fenotípica, salienta que os estudos já começaram há algum tempo e já existem, mas sem sucesso.

Grandes empresas da indústria farmacêutica não estão interessadas nesta área, mesmo que haja um grande potencial para um grande mercado”, destacou Andrews. “Por isso, a Fundação Gates quis preencher essa lacuna”.

A equipa de Dundee espera ter resultados positivos dentro de cinco anos, para que possam começar a testar o produto em homens.

A pílula feminina, que apareceu pela primeira vez em 1961, veio revolucionar a sexualidade e a vida das mulheres.