Um grupo de investigadores do British Antartic Survey e do Canterbury Museum, na Nova Zelândia, revelou um conjunto de imagens satélite de alta resolução onde é possível identificar e contar o número de albatrozes existentes nos bandos e colónias dessas aves marinhas de grandes dimensões.

De acordo com um artigo publicado na revista científica Ibis, o método permite monitorizar as colónias de albatrozes, uma das espécies de aves mais ameaçadas no mundo e difíceis de estudar, uma vez que se reproduzem em ilhas remotas e inacessíveis.

Esta foi a primeira vez que os satélites foram usados para a contagem individual de aves, através do satélite WorldView-3, capaz de capturar imagens de objetos de pequenas dimensões, até 30 centímetros.

Para testar a precisão do satélite, a equipa contou um grupo de albatrozes gigantes na Geórgia do Sul, uma ilha remota a sudeste da Argentina, e perceberam que as imagens permitiam fazer a contagem.

Nós conseguimos vê-los muito bem”, afirmou Peter Fretwell, um dos autores do artigo da revista Ibis, em declarações à CNNTech.

Segundo Peter Fretwell, os pontos brancos na imagem são albatrozes, uma vez que estas aves não se reproduzem perto de outras espécies e onde vivem não existem outras aves da mesma cor.

Por outro lado, embora possam ser confundidas com rochas brancas, trata-se de algo improvável, uma vez que os albatrozes tendem a reproduzirem-se em áreas planas e cobertas de vegetação.

Mais espécies em risco

Os investigadores também estudaram o albatroz real que vive nas Ilhas Catham, a leste da Nova Zelândia, uma população de aves pouco analisada devido ao seu afastamento e à difícil acessibilidade à zona onde vivem.

Uma das colónias estava estável, mas a outra era muito mais reduzida do que pensávamos", constatou Fretwell.

O cientista também acredita que, a partir de agora, os estudos baseados em imagens de satélite podem ser usadas mais frequentemente para contar outras aves grandes, como flamingos, pelicanos, cisnes e gansos.

A mesma tecnologia também está a começar a ser usada para observar e estudar grandes mamíferos, como ursos polares e gnus.

Já segundo Paul Scofield, co-autor do artigo da revista Ibis, esta será uma tecnologia imprescindível para a conservação global das espécies e para recolher informações sobre as que se encontram em vias de extinção, quase em tempo real.