Robert Strayer, responsável pela política cibernética do Departamento de Estado norte-americano, garantiu hoje que as preocupações dos Estados Unidos sobre o 5G são "100%" sobre os riscos de segurança nacional e que nada têm a ver com comércio.

Os Estados Unidos proibiram a utilização de equipamentos e serviços de empresas consideradas de "elevado risco", detidas ou controladas pela China, como a Huawei e a ZTE.

Com a quinta geração móvel (5G) na ordem do dia, os Estados Unidos têm feito esforços diplomáticos em todo o mundo para alertar para os riscos de segurança em infraestruturas que sejam implementadas pela Huawei.

Tenho de ser claro aqui (...), o nosso esforço diplomático global não tem nada a ver com comércio, é 100% sobre segurança nacional", afirmou o secretário-adjunto do Departamento de Estado para a Comunicação Cibernética e Internacional e para a Política de Tecnologia de Informação, numa conferência 'online' com vários media, entre os quais a Lusa.

O responsável salientou que há uma combinação de "intenção, capacidade e oportunidade" pela China que eleva os riscos de segurança de dados nas redes 5G, que designou resultar numa "arma carregada", pelo que alertou os "países democráticos" a estarem a atentos.

Tudo isto porque a Huawei está envolvida em processos de roubo de propriedade nos Estados Unidos, algo, adiantou Robert Strayer, já faz parte da história da China, além de que o uso de dados naquele país "é contrário aos valores no Ocidente".

A China "controla o setor privado" no país, salientou, razão pela qual os Estados Unidos acreditam que a Huawei nunca será exceção a esse controlo.

Com a intenção e a capacidade, o 5G é a oportunidade que fornece uma "arma carregada" à China, logo pronta a disparar.

Instamos os países a pensarem com muito cuidado à medida que implementam os requisitos relacionados com a infraestrutura 5G" e as empresas envolvidas, aludindo à Huawei.

Salientou ainda a importância de todos partilharem os mesmos valores, apontando os riscos de entidades que comprometem esses mesmos valores, violando os direitos humanos fundamentais, a liberdade de expressão ou até de liberdade religiosa, numa clara alusão à China.

Sobre as recomendações da Comissão Europeia sobre o 5G, em que serão feitas avaliações sobre os riscos de segurança até final de junho, considerou tratar-se de "um primeiro passo positivo".

Robert Strayer defendeu que "é importante" que esta avaliação seja feita de forma "muito regular" no que respeita a toda a cadeia de fornecedores das infraestruturas 5G.

Sublinhou que as recomendações europeias devem considerar o regime de países terceiros, referindo-se à Huawei e China.

Estamos num tempo crítico de discussão com a União Europeia nos próximos tempos" sobre o 5G, acrescentou.

Robert Strayer adiantou que a República Checa vai realizar uma conferência sobre segurança no 5G no início de maio, uma iniciativa que os Estados Unidos saudaram.

Questionado sobre as informações que dão conta que o Reino Unido permite a operação da Huawei, de forma limitada, nos seus equipamentos de rede, o responsável salientou que Londres ainda não anunciou a sua decisão final.

Questionado sobre se os países europeus que tiverem redes 5G com a Huawei vão ver as suas relações afetadas com os Estados Unidos, Robert Strayer não se comprometeu, referindo apenas que é prematuro.