A maior parte da carne que vai ser consumida em 2040 não será produzida a partir do abate de animais: será criada "in vitro", a partir de células animais, ou através de substitutos vegetais com um aspeto e um sabor semelhantes aos da carne.

A previsão é da consultora AT Kearney, que divulgou esta quarta-feira um relatório sobre o impacto ambiental da produção de carne e as preocupações da sociedade em relação a este assunto.

O documento revela que há uma preocupação crescente em relação aos efeitos negativos da indústria pecuária e que os novos substitutos da carne convencional vão ganhar cada vez mais espaço no mercado de consumo.

A indústria pecuária em grande escala é vista por muitos com um mal que não é necessário. Com as vantagens que trazem a carne vegan e a carne cultivada in vitro em relação à carne produzida de forma convencional, é apenas uma questão de tempo até estes produtos conquistarem uma fatia substancial do mercado”, sublinha o relatório.

O impacto ambiental da indústria pecuária, quer ao nível da poluição e das alterações climáticas, quer em relação à destruição de habitats naturais, tem sido muito documentado em estudos científicos recentes.

Ora, o relatório da AT Kearney sublinha que há uma maior consciencialização das pessoas para estas questões e que a mudança de hábitos através da redução do consumo de carne ou da adoção de regimes alimentares vegetarianos ou vegan são “inegáveis”.

E há já várias empresas, focadas na produção de substitutos de alimentos de origem animal, que têm crescido a bom ritmo, embaladas por esta maior conciencalização. São os casos de empresas como a Beyond Meat, a Impossible Foods ou a Just Foods, que usam produtos vegetais na criação de substitutos da carne e dos ovos.

A Beyon Meat, por exemplo, é um dos maiores casos de sucesso: a empresa norte-americana, pioneira no fabrico de carne vegan, abriu capital em Wall Street em maio, a 25 dólares por ação (cerca de 22 euros), numa operação em que captou 252 milhões de dólares (222 milhões de euros).

A empresa anunciou um aumento de 214,7% na faturação do primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A faturação nos primeiros três meses do ano foi de 40,2 milhões de dólares (cerca de 35 milhões de euros) e a empresa espera faturar 210 milhões de dólares (185 milhões de euros) ao longo ano.  

Há também outros fabricantes a apostar na carne in vitro, feita em laboratório a partir de células animais. Este tipo de produtos ainda não está à venda, mas a consultora AT kearney prevê que venha a dominar nas preferências dos consumidores.

O relatório estima que, em 2040, 35% da carne seja produzida “in vitro” e que 25% tenha origem em substitutos vegan.