A rede social Facebook removeu e encerrou quase 200 contas, páginas e grupos falsos mantidos por redes com origem em França e na Rússia e que visavam vários países africanos, incluindo Moçambique.

Removemos 84 contas no Facebook, seis páginas, nove grupos e 14 contas Instagram por violarem a nossa política contra o comportamento falso coordenado. Esta atividade teve origem em França e visou principalmente a República Centro-Africana e o Mali, e em menor escala o Níger, o Burkina Faso, a Argélia, a Costa do Marfim e o Chade", adiantou a empresa em comunicado.

Segundo a organização, as "pessoas por detrás desta atividade utilizaram contas falsas para se apresentarem como locais dos países que visavam, publicarem e comentarem conteúdos e gerirem páginas e grupos".

As publicações eram principalmente em francês e árabe e sobre notícias e acontecimentos atuais, incluindo as políticas francesas na África francófona, a situação de segurança em vários países africanos, alegações de interferência russa nas eleições na República Centro-Africana (RCA), comentários de apoio ao militares franceses e críticas ao envolvimento da Rússia na RCA.

Embora as pessoas por detrás disso tenham tentado esconder a sua identidade, a nossa investigação encontrou ligações a pessoas associadas aos militares franceses", esclareceu o comunicado.

Cerca de 5.000 contas seguiram uma ou mais destas páginas, cerca de 1.600 contas juntaram-se a um ou mais destes grupos e cerca de 200 pessoas seguiram uma ou mais destas contas Instagram.

Relacionado com outra rede, com origem na Rússia, o Facebook disse ainda ter removido 63 contas no Facebook, 29 páginas, sete grupos e uma conta Instagram.

Esta rede "centrou-se principalmente na República Centro-Africana (RCA), e em menor medida em Madagáscar, Camarões, Guiné Equatorial, Moçambique, África do Sul e a diáspora da RCA em França", de acordo com o comunicado.

A rede utilizou uma combinação de contas falsas e comprometidas "para comentar, ampliar o seu próprio conteúdo, levar as pessoas a domínios fora da plataforma e gerir grupos e páginas fazendo-se passar por órgãos de comunicação social e entidades centradas na promoção da cidadania".

As publicações eram em francês, inglês, português e árabe sobre notícias e acontecimentos da atualidade incluindo a covid-19 e a vacina russa contra o vírus, as próximas eleições na RCA, o terrorismo, a presença da Rússia na África Subsaariana, comentários de apoio ao governo da RCA, críticas à política externa francesa e um golpe de Estado fictício na Guiné Equatorial.

Nesta rede, a investigação encontrou ligações a indivíduos associados à Agência de Investigação na Internet (IRA) e ao financiador russo Yevgeniy Prigozhin, acusado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Cerca de 263.000 contas seguiram uma ou mais destas páginas e cerca de 29.000 pessoas juntaram-se a um ou mais destes grupos.

/ CE