As doenças cardiovasculares continuam a ser a maior causa de morte em Portugal, vitimando 30 mil portugueses por ano.

A prevenção e o diagnóstico continuam a ser o melhor remédio. Afinal, nunca é demasiado cedo para começar a tomar medidas para preservar o nosso coração.

Johannes Hinrich von Borstel, cardiologista e autor do livro “The Inside Story of Our Body’s Most Important Organ”, explica que a aterosclerose – acumulação de depósitos de gordura nas artérias que pode conduzir a doenças cardíacas e derrames –, apesar de afetar 100% da população, pode ser atrasada.

É a única doença que todos no mundo têm a partir dos 50 anos”, afirma. “É algo que não podemos parar completamente, mas podemos influenciar o quão rápido se desenvolve.”

Com base nas suas últimas investigações, von Borstel revela ao The Telegraph como manter o coração a bater saudável, independentemente da idade.

1. Ter sexo (com alguém que ame)

De acordo com o especialista, a atividade sexual é um dos exercícios mais benéficos para o coração, já que permite uma grande libertação de hormônios “que têm um efeito protetor sobre o nosso sistema cardiovascular”, conforme explica.

Ter relações sexuais com alguém que amamos, em vez de um estranho, é muito melhor para os corações, porque a genuína afeição provoca a libertação de níveis mais altos de oxitocina”, diz von Borstel.

A endorfina é outro hormônio libertado durante o sexo que ajuda a diminuir o ritmo cardíaco e a pressão arterial.

2. Comer alho cru todos os dias

Johannes Hinrich von Borstel refere o gengibre, a cebola e o alho como diluentes de sangue que promovem o fluxo sanguíneo através dos vasos e melhoram o fornecimento de sangue aos órgãos e tecidos. O cardiologista recomenda, por isso, o consumo diário de uma colher de chá de raiz de gengibre ralada ou duas de alho ralado diluído dum copo com água para reduzir a pressão arterial.

3. Dormir bem (na dose certa)

Cada vez mais os padrões de sono irregulares estão ligados a perturbações no equilíbrio do ritmo cardíaco.

Noites sem dormir estão associadas a um aumento da frequência cardíaca e a pressão arterial elevada. Segundo um estudo recente da University of Warwick, dormir menos de seis horas por noite aumenta em 48% a probabilidade de doença cardíaca e em 15% a de AVC.

As insónias também estão associadas a altos níveis de stress e, no limite, podem mesmo levar à insuficiência cardíaca.

Contudo, dormir muito pode também ser prejudicial. Segundo um estudo de 2010, da Univesity of West Virginia, aqueles que dormem mais do que nove horas por noite de forma regular têm quase 50% mais de risco de sofrer um ataque cardíaco ou outra doença cardiovascular.

Dormir demais ou muito pouco pode ser prejudicial para a nossa saúde. Sete é o número perfeito para a maioria dos adultos”, explica o von Borstel.

4. Evitar farinha branca

Investigações revelam que os antigos egípcios, apesar de não fumarem e terem uma dieta de baixo teor de gordura, já sofriam de aterosclerose. A explicação está no pão feito de farinha branca.

É que a farinha branca provoca um aumento rápido dos níveis de açúcar no sangue, que aumentam a probabilidade de ganhar peso e desenvolver resistência à insulina.

Muito açúcar não é bom para o coração, pois pode provocar aumento de peso e diabetes”, afirma von Borstel. “O grande problema do açúcar é que às vezes se esconde em alimentos em que não é reconhecido, como o macarrão, pão branco e batatas. Uma das melhores maneiras de reduzir a ingestão de açúcar é reduzindo a ingestão de alimentos feitos com farinha branca.”