A explosão de casos da Covid-19 na China foi impulsionada, em grande parte, por pessoas com sintomas ligeiros, ou mesmo sem sintomas, que não tinham sido detetados",

as palavras são de Jeffrey Shaman, um dos autores de um estudo que foi publicado esta semana na revista Science, e que traz novas conclusões sobre a propagação do novo coronavírus em território chinês e, consequentemente, ao nível internacional.

Mas não é só: a partir da China, sem restrições de voos, que só foram implementadas no dia 23 de janeiro, e com seis em cada sete casos de infeção não detetados, ou seja, 86%, o vírus espalhou-se pelo mundo.

O grupo de trabalho da Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade da Columbia, nos Estados Unidos, concluiu também que, por pessoa, a taxa de transmissão das infeções não documentadas foi de 55% relativamente às infeções documentadas, e os casos não detetados foram a fonte de infeção de 79% dos casos detetados.

Para chegar aos resultados agora apresentados, os investigadores utilizaram informação relativa não só às infeções reportadas na China, como também à mobilidade de pessoas entre o dia 10 de janeiro (quando foi anunciado que havia um novo coronavírus a infetar humanos) e o dia 8 de fevereiro.

Apesar de a propagação do vírus parecer contida naquele que foi o primeiro epicentro da doença, Jeffrey Shaman ressalva que "os casos não detetados podem expor uma fatia muito maior da população ao vírus. Percebemos que esses casos são numerosos e contagiosos na China". Significa isto que essas "transmissões furtivas" continuarão a ser um grande desafio para conter a pandemia daqui para a frente.

Emanuel Monteiro