O ensaio clínico europeu Discovery, que testa a eficácia de vários tratamentos contra o coronavírus, “suspendeu desde domingo” a inclusão de novos pacientes no grupo que recebia hidroxicloroquina, anunciou esta quarta-feira o instituto de investigação francês Inserm, que coordena este estudo.

Esta decisão foi motivada pelas publicações científicas relativas à utilização de hidroxicloroquina em estudos de observação, nomeadamente o recente estudo publicado na Lancet”, que considerou ineficaz ou nefasto o recurso à cloroquina ou aos seus derivados como a hidroxicloroquina contra a Covid-19, explicou o Inserm numa mensagem transmitida à agência noticiosa AFP.

Trata-se de uma “decisão conjunta do Solidariedade, ensaio conduzido sob a égide da OMS [Organização Mundial de Saúde], e do Discovery, ensaio desenvolvido pelo Inserm, que lhe está associado”, precisou o instituto de pesquisa.

A Organização Mundial de Saúde indicou na segunda-feira ter suspendido “temporariamente”, desde sábado, como medida de precaução, os ensaios clínicos com hidroxicloroquina, que desenvolvia com os seus parceiros em vários países, no âmbito do estudo Solidariedade.

Perante esta suspensão, os comités independentes dos dois estudos vão examinar conjuntamente os dados já recolhidos, com o objetivo de tornar definitiva ou não esta suspensão", sublinhou o Inserm.

Derivado da cloroquina (medicamento contra o paludismo), a hidroxicloroquina é prescrita para lutar contra doenças autoimunes, o lúpus ou a poliartrite reumatoide.

A utilização deste medicamento contra o novo coronavírus foi alvo de uma viva polémica no último mês.

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, estão igualmente convencidos dos seus efeitos, que ainda não provados.

Mas a maioria da comunidade científica manifestou muitas reservas nos últimos meses sobre a utilização de hidroxicloroquina contra a doença Covid-19, na ausência de estudos que comprovem a eficácia e devido a potenciais efeitos indesejáveis graves, nomeadamente cardíacos.

/ AG