A disseminação do novo coronavírus fez com que a população tivesse de adotar cuidados de higiene reforçados. As autoridades de saúde de todos os países entram em consenso afirmando que a higienização regular das mãos é a melhor arma contra o vírus. Mas vários estudos, prévios a esta pandemia, garantem que os homens lavam as mãos com menos frequência do que as mulheres.

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Michigan, em 2013, percebeu que a maioria das pessoas acabava por mentir nas respostas, pelo que a faculdade optou por observar comportamentos em casas de banho públicas.

Imagine que está numa casa de banho no aeroporto, se alguém perguntar se lavou as mãos, instintivamente a resposta é sim”, diz Carl Borchgrevink, diretor da Faculdade.

Os resultados vieram a comprovar as suspeitas: são poucas as pessoas que lavavam as mãos de forma correta. 15% dos homens não lava de todo as mãos, em comparação com 7% das mulheres. Dos que lavam, apenas 50% dos homens usam sabão, já nas mulheres o número sobe para os 78%. Em ambos os géneros, só 5% das pessoas é que lavaram as mãos tempo o suficiente para matar germes e bactérias que possam causar infeções.

No Reino Unido, um estudo foi feito pelo Center for Disease Control and Prevention, em 2009, comprovava a teoria e avançava que apenas 31% dos homens lava as mãos depois de ir a uma casa de banho pública contra 65% das mulheres.

 

O tema voltou a ser comentado, depois do jornalista e escritor Sathnam Sanghera ter feito uma publicação no Twitter onde dizia que assistia diariamente a “homens adultos”, que frequentavam a Biblioteca Britânica, saírem da casa de banho sem lavar as mãos.

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A publicação gerou dezenas de comentários e partilhas nas redes sociais e a biblioteca foi obrigada a reforçar as medidas de higiene.

Aumentamos ainda mais o número de cartazes nas casas de banho, para que os visitantes se lembrem da importância de uma boa higiene, principalmente de lavar as mãos, afirmou um dos porta-vozes.

Para Susan Michie, professora de psicologia na University College of London, a diferença entre géneros pode relacionar-se com o facto de as mulheres estarem mais habituadas a tarefas como cuidar dos filhos ou da casa.

Outro resultado interessante é que quanto mais pessoas houver nas casas de banho, maior é a probabilidade de lavarem as mãos. Se não estiver ninguém por perto, as pessoas têm a tendência de sair sem que ninguém perceba”, afirmou.

Para a professora de psicologia, a forma de alterar o paradigma pode estar na colocação de cartazes com mensagens eficazes que provoquem a sensação de nojo como “Lave as mãos ou coma germes mais tarde”, ou ainda “A água não mata as bactérias, o sabão sim”.

Com a pandemia do coronavírus, a importância de cuidados básicos de higiene voltou a ser tema de conversa e vários especialistas afirmaram que os homens têm maior probabilidade de contrair a doença do que as mulheres. Na China, um estudo realizado pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, concluiu que em 44 mil doentes, a taxa de mortalidade nos homens situava-se nos 2,8% enquanto nas mulheres era apenas de 1,7%. O mesmo verificou-se em países como Itália, Alemanha, Irão, França e na Coreia do Sul.

Márcia Sobral