As mulheres que estão a amamentar os filhos depois de terem sido vacinadas contra a covid-19 com as vacinas da Pfizer e da Moderna conseguem transmitir anticorpos aos bebés através do leite, segundo um estudo do Hospital Universitário Nuestra Señora de la Candelaria, em Tenerife, Espanha.

O estudo, que englobou 90 mães lactantes, uma grávida e nove mães não vacinadas, demonstra que estas duas vacinas são eficazes e seguras para as mães, até porque nenhuma das voluntárias teve reações adversas graves. Adicionalmente, a imunização foi capaz de proteger os bebés.

A chefe da unidade de neonatologia daquele hospital explicou, em entrevista à agência Efe, que depois de terem sido analisados o sangue e o leite destas mulheres, que se pode concluir que a vacinação em mães lactantes é "segura e eficaz".

Para Sabina Romero, estas conclusões significam que esta população pode ser imunizada da mesma forma que a restante população. A responsável considera assim que existe evidência científica para que as mães lactantes se possam vacinar com normalidade.

O estudo está agora a ser elaborado, para posteriormente ser publicado numa revista médica internacional. No ensaio participaram mulheres com uma idade média de 36 anos, que amamentavam há uma média de 11 meses, sendo que 21 das voluntárias amamentam há mais de dois anos a mesma criança.

Sabina Romero explica que a exclusão de grávidas das primeiras fases de vacina estiveram relacionadas com a falta de estudos naquela população, algo que agora acredita estar esclarecido.

Na investigação participaram os serviços de pediatria, de análise clínica e de obstetrícia-ginecologia daquele hospital, onde não se teve em conta a vacina da AstraZeneca, também já aprovada para uso na União Europeia.

Apesar disso, e segundo Sabina Romero, tudo aponta que a vacina da farmacêutica anglo-sueca também confira proteção contra as grávidas, acreditando que também deve gerar anticorpos no sangue e no leito, pelo que também imunizaria os bebés.

Agora, o hospital procura financiamento para poder alargar o estudo, que continua a ser desenvolvido. As mulheres vacinadas foram inoculadas há seis semanas. Dentro de seis meses serão reavalidadas, para perceber qual o grau de duração da eficácia na proteção contra o vírus.

Agora, em pandemia, a amamentação é mais importante que nunca", sublinha Sabina Romero.

Este é um dos primeiros estudos do género a serem desenvolvidos na Europa.

António Guimarães