Um estudo do Institute for Health Metrics and Evaluation da Escola de Medicina de Washington, em Seattle, concluiu que, até agosto, vão morrer 66.314 pessoas devido à Covid-19 no Reino Unido.

Este valor é muito mais elevado do que aquele que o governo britânico tinha como referência para implementar o plano de combate à doença. O Imperial College of London garantiu ao executivo de Boris Johnson que, com a quarentena obrigatória e as medidas de distanciamento social, o número de mortes iria ficar entre as 20.000 e as 30.000.

Ainda assim, muitos cientistas britânicos já revelaram preocupação com as projeções feitas pela Escola de Medicina de Washington. David Spiegelhalter, que lidera o Winton Centre for Risk and Evidence Communication, da Universidade de Cambridge, garante que é "muito descrente" nos novos dados. 

Eles baseiam-se num simples modelo matemático para todo o curso da epidemia. Eu suspeito que isto vai mudar muito num futuro próximo. Vamos ver", disse Spiegehalter ao Science Media Centre.

Independentemente de quem tenha razão em relação ao número final de óbitos, o Reino Unido tem corrido contra o tempo, de maneira a dotar os hospitais para que o Serviço Nacional de Saúde não entre em colapso durante o pico da doença no país. Para isso, construiu um hospital provisório no leste de Londres, que já está a receber doentes. A unidade de saúde tem capacidade até  5.000 camas.

Ainda assim, o modelo feito pelos norte-americanos da Escola de Medicina de Washington sugere que esse esforço pode não ser suficiente. O estudo garante que o pico de procura por cuidados hospitalares no Reino Unido vai atingir as 102.794 camas de hospital, mas só existirão 17.765 disponíveis, por volta de meados de abril. Além disso, serão necessárias 25.544 camas em cuidados intensivos, face às apenas 799 que estarão livres, na mesma altura.

Esta é a primeira vez que a Escola de Medicina de Washington publica projeções para países europeus, incluindo o Reino Unido. Os cientistas basearam as suas estimativas em dados recolhidos em Wuhan, em Madrid e na região da Lombardia, em Itália. 

Emanuel Monteiro