Um novo estudo levado a cabo sobre a influência da variante da covid-19 detetada na África do Sul concluiu que a eficácia da vacina contra a nova mutação pode ser reduzida em dois terços (cerca de 66%)..

Segundo informações recolhidas pela agência Reuters junto da Pfizer e da BioNTech, parceiras na produção da vacina, não é claro que a vacina desenvolvida ofereça proteção contra a variante.

Apesar disso, o estudo, publicado no New England Journal of Medicine, afirma que a vacina foi capaz de neutralizar o vírus, não havendo para já evidências factuais de que a redução de eficácia se verifica verdadeiramente.

Em todo o caso, a farmacêutica está já me conversas para que sejam feitos investimentos no sentido de desenvolver uma versão atualizada da vacina, que ofereça uma garantia total de proteção contra a nova variante.

Para este estudo, cientistas das duas empresas que desenvolveram o produto e também da Universidade de Medicina do Texas, desenvolveram um vírus com as mesmas mutações da variante sul-africana, conhecida como B.1.351.

Os investigadores testaram o vírus contra o sangue das pessoas que se voluntariaram e que levaram a vacina, e descobriram que a eficácia foi reduzida em dois terços, tendo efeito na criação de anticorpos que devem neutralizar o vírus.

Em declarações à agência Reuters, Pei-Yong Shi, professor na Universidade do Texas e co-autor do estudo, acredita que esta vacina acabará por ser eficaz.

Não sabemos qual o número mínimo [de anticorpos necessários] para neutralizar", explicou.

Esta quarta-feira foi publicado, na revista Lancet, um estudo em sentido contrário, que dizia que as vacinas da Pfizer e da Moderna ofereciam proteção contra as novas variantes, entre elas a sul-africana.

A nova investigação, ainda para mais apoiada pela Pfizer, pode significar um retrocesso nessa descoberta.

Também esta quarta-feira, a Moderna publicou um estudo em que admite uma queda da eficácia perante a variante sul-africana.

Recorde-se que as vacinas da Pfizer e da Moderna são duas das três já aprovadas na União Europeia, estando em uso generalizado em Portugal há mais de um mês.

António Guimarães