O primeiro ensaio clínico de uma vacina contra a Covid-19 realizado em humanos teve resultados promissores, que dão grande esperança à comunidade científica: a vacina é segura, tolerável e capaz de gerar uma resposta imunitária contra o vírus Sars-CoV-2. O estudo foi feito pelo Instituto de Biotecnologia de Pequim, na China, e as suas conclusões foram publicadas na prestigiada revista científica The Lancet, esta sexta-feira.

A vacina foi testada em 108 adultos saudáveis durante 28 dias, num ensaio que se iniciou no mês de março. De acordo com a investigação, a vacina produziu anticorpos e uma resposta das células T (as células do sistema imunitário responsáveis pela defesa do organismo) contra o vírus.

São resultados promissores, que dão grande esperança numa altura em que a pandemia de Covid-19 já fez quase 333 mil mortos e mais de cinco milhões de infetados em todo o mundo.

Os resultados representam um marco importante. O ensaio demonstra que uma única dose da vacina produz anticorpos específicos contra o vírus e uma resposta das células T em 14 dias, o que a torna candidata com grande potencial a futuras investigações”, frisa Wei Chen, professor do Instituto de Biotecnologia de Pequim e um dos autores do estudo.

Ainda assim, os investigadores sublinham que estas conclusões devem ser interpretadas com cautela. Os resultados finais deste ensaio só deverão ser partilhados dentro de seis meses e, depois disso, ainda serão necessários mais testes.

Os autores do estudo dexiam claro que ainda estamos longe de “uma vacina que esteja disponível para todos”.

Os desafios do desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19 não têm precedentes e a capacidade de desencadear estas respostas imunes não indicam necessariamente que a vacina proteja as pessoas da Covid-19. Os resultados dão uma visão promissora para o desenvolvimento de outras vacinas, mas ainda estamos longe de que esta vacina  esteja disponível para todos.”

A comunidade científica tem reunido esforços no desenvolvimento de uma vacina que possa ser a solução, a longo prazo, para combater o vírus.

A pandemia do novo coronavírus, que começou em dezembro na China, já matou pelo menos 332.870 pessoas e infetou mais de 5,1 milhões em todo o mundo.

Os Estados Unidos, que registaram a primeira morte ligada ao coronavírus no início de fevereiro, são o país mais afetado em termos de número de mortes e casos, com 94.729 e 1.577.758, respetivamente. 

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são o Reino Unido, com 36.042 mortes e 250.908 casos, Itália com 32.486 mortes (228.006 casos), França com 28.215 mortes (181.826 casos) e Espanha com 27.940 óbitos (233.037 casos).

Portugal regista 30.200 casos de Covid-19 e 1.289 óbitos.

Sofia Santana